BNB completa 64 anos enfrentando desafios
O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) completa nesta terça-feira (19) 64 anos de existência, ainda enfrentando o desafio de cumprir a sua missão de reduzir as desigualdades e contribuir com o desenvolvimento da região. Um banco público criado em 1952, com sede em Fortaleza (CE), atua em cerca de 2 mil municípios, abrangendo os nove estados da Região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), o norte de Minas Gerais (incluindo os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o norte do Espírito Santo.

“O BNB surgiu em um contexto diferente das demais instituições financeiras: enquanto grandes bancos vão para locais onde o dinheiro circula, ele nasceu para mitigar os efeitos da seca de 1951, ofertando crédito e apoio a pequenos agricultores”, lembra Rita Josina, presidente da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (AFBNB).
Por ser uma instituição financeira voltada para o desenvolvimento regional, o BNB trabalha com programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), principal fonte de recursos administrada pela empresa. Além disso, tem acesso a outras fontes de financiamento por meio de parcerias e alianças com instituições nacionais e internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Mas este papel da instituição no desenvolvimento da região Nordeste está sob ameaça. “Constantemente tramitam no Congresso Federal projetos de lei e medidas provisórias que ameaçam o BNB, por exemplo, quando se propõe a retirar do banco a exclusividade da operacionalização dos recursos do FNE ou quando se inclui na proposta de Desvinculação de Recursos da União a retirada de 30% dos recursos do Fundo Constitucional, esta última ameaça superada com muita luta”, denuncia Rita.
O BNB é responsável pelo maior programa de microcrédito da América do Sul e o segundo da América Latina, o CrediAmigo, por meio do qual o Banco já emprestou mais de R$ 3,5 bilhões a microempreendedores. Também opera o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE), criado para estruturar o turismo da Região com recursos da ordem de US$ 800 milhões.
Para Rita Josina, “é tempo de celebrar, mas também momento de rever conceitos e práticas”. Ela chama a atenção para o atual momento da conjuntura política nacional, no qual as empresas públicas e seus trabalhadores sofrem sérios riscos e ameaças de fragilização. “Sem dúvidas, a melhor e mais eficaz maneira de enfrentar tantos fatores contrários é ter sempre em mente a essência do BNB, lembrar dos motivos que levaram à sua criação. O BNB não é banco comercial! É instituição de desenvolvimento! Como tal, deve ter seus resultados medidos não em cifras, mas no impacto de sua ação”, afirma Josina.
