Cinco bilionários têm a renda dos 50% mais pobres no Brasil
O 1% mais rico do mundo ficou com 82% da riqueza mundial criada ano passado. Já os 50% da população mais pobre não ficaram com nada. É o que mostra um novo relatório da ONG britânica Oxfam. Segundo o estudo, em 2017, o mundo viu surgir um novo bilionário a cada dois dias.

No Brasil, em um momento de crise, a riqueza dos milionários nacionais cresceu 13%. As cinco pessoas mais ricas do país detêm um patrimônio equivalente à metade da população brasileira. A lista é composta pelo trio da Ambev – formado por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – assim como pelo banqueiro Joseph Safra e pelo investidor Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook.
O número de bilionários também cresceu no país em 2017, passando de 31 para 43, com patrimônio acumulado de US$ 549 bilhões, o que equivale a um aumento de 13%. Enquanto isso, 50% dos brasileiros mais pobres viram a sua parte nos rendimentos nacionais reduzida de 2,7% para 2%.
Desigualdade crescente
À véspera do Fórum Econômico Mundial de Davos, que reúne a elite política e econômica do mundo, entre 23 e 26 de janeiro, a Oxfam divulgou o relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”. Nele, aponta que, em 2017, o 1% mais rico elevou o seu patrimônio em 762 bilhões de dólares, o suficiente para acabar sete vezes com a miséria no mundo.
A entidade fez entrevistas com mais de 70 mil pessoas e concluiu que mais de três quartos das pessoas concordam ou concordam enfaticamente que a distância entre ricos e pobres em seu país é muito grande, variando de 58% na Holanda a 92% na Nigéria. Contrariando o discurso do Estado mínimo, em voga no Brasil pós-golpe, 60% concordam que é responsabilidade dos governos reduzir esse fosso.
Para a Oxfam, a atual situação de desigualdade é resultado de “uma tempestade perfeita”. “Na base da pirâmide, direitos trabalhistas estão sendo minados e com eles o poder de negociação dos sindicatos. Empresas estão se consolidando cada vez mais e se encontram sob uma enorme pressão para oferecer retornos cada vez mais altos aos seus acionistas. Esses retornos geralmente são garantidos à custa dos trabalhadores e oferecem um maior incentivo para a evasão fiscal em larga escala. As empresas usam a mobilidade dos seus investimentos para promover uma “corrida para baixo” entre países em termos de tributação e salários”, critica.
Gênero
A desigualdade tem também um forte componente de gênero. Atualmente, há 2.043 bilionários (em dólares) em todo o mundo. Nove entre dez deles são homens. Em todo o mundo, mais homens do que mulheres são proprietários de terras, ações de empresas e outros bens de capital; 53 os homens recebem mais para desempenhar as mesmas funções que as mulheres e estão concentrados em empregos de maior remuneração e status.
As mulheres fornecem, anualmente, US$ 10 trilhões em cuidados não remunerados para sustentar a economia global. “A desigualdade de gênero não é um acidente e nem é nova: nossas economias foram construídas por homens ricos e poderosos em benefício próprio. O modelo econômico neoliberal piorou essa situação – redução de serviços públicos, corte de impostos para os mais ricos e a corrida para baixo em matéria de salários e direitos trabalhistas afetaram mais as mulheres do que os homens”, diz o texto.
Do Portal Verrmelho
