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Clima de ameaças marca a negociação sobre saúde com a Fenaban

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A quarta rodada de negociação da campanha nacional 2026, realizada nesta terça-feira (21/7), foi marcada pelas ameaças da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a conquistas históricas dos bancários, como a mesa única de negociações e as cláusulas de saúde da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Os bancos se negaram também a discutir o endividamento da categoria.

A Fenaban iniciou a negociação ameaçando dividir a mesa de negociação, separando os bancos públicos dos privados, sob a alegação de que existem divergências entre as entidades representativas. A proposta foi rechaçada pelo Comando Nacional dos Bancários, que ressaltou a importância desta unidade para garantir as conquistas da categoria.

Essa posição de separar a mesa única foi proposta pelo negociador da Fenaban, Adauto Duarte, que foi questionado, inclusive, pelos representantes dos bancos públicos que estavam na mesa.

Endividamento da categoria

Na reunião desta terça, a Fenaban também trouxe a devolutiva sobre um programa de juros baixos para os bancários saírem das dívidas, proposto pelo Comando Nacional na mesa anterior. Os bancos alegaram que a categoria não está endividada, por isso não haveria necessidade de debater o tema.

A única proposta apresentada pela Fenaban para a redução do endividamento foi terminar logo a campanha nacional e adiantar o pagamento da participação nos Lucros e Resultados (PLR).

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Saúde e condições de trabalho

Sobre a pauta da saúde, o movimento sindical destacou que, em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria.

Para enfrentar esse cenário, o Comando Nacional dos Bancários quer discutir, entre outros pontos, a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº1), com o mapeamento dos riscos psicossociais e acesso as informações de saúde na categoria.

Os bancários também apresentaram uma série de reivindicações para garantir a saúde nos bancos, como o fim das metas abusivas; combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico; limites à vigilância digital e ao controle por algoritmos; serviços médicos que acolham os trabalhadores adoecidos; nenhuma perda de remuneração durante o adoecimento, além de prevenção de riscos psicossociais, com a implementação da NR-1 e da NR-17.

Após a apresentação dos dados, a Fenaban travou a mesa, ameaçando retirar todas as cláusulas de saúde já conquistadas na CCT. O Comando reafirmou a importância da pauta, que deve ser debatida durante a campanha salarial.

Após mais um pedido de intervalo, a Fenaban concordou em continuar a negociação de saúde na próxima mesa, agendada para o dia 30 de julho.

“A mesa de hoje foi muito ruim. A gente termina o dia com uma sensação de decepção, porque o nosso intuito era fazer um debate técnico, um debate de alto nível de acordo com dados levantados e a gente não conseguiu fazer isso, porque a Fenaban não reconhece o problema do adoecimento e do endivadamento da categoria. Essa negação impede o avanço desta discussão que é essencial para nós. Apesar da decepção, vamos continuar lutando por mais saúde nos bancos”, ressaltou a presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andréia Sabino.

Os presidentes do Sindicato da Bahia, Elder Perez, e do Sindicato de Sergipe, Adilson Azevedo, também participaram da negociação com a Fenaban.

Dia Nacional de luta e mobilização

O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização, em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país.

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