Conferência debate emprego, novas tecnologias nos bancos e campanha salarial
Na 18ª Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe, neste sábado (09) no período da tarde, foram debatidos o emprego e o uso das novas tecnologias pelos bancos e as expectativas da campanha salarial.

A economista do DIEESE Vivian Machado demonstrou que os lucros dos maiores bancos caíram no primeiro trimestre deste ano, mas ainda continuam num patamar elevado mesmo numa economia em recessão.
Os resultados são afetados pelas despesas de Provisão para Devedores Duvidosos, que cresceram pelo aumento da inadimplência. Destacou ainda que as receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias continuam crescendo, cobrindo com sobra as despesas de pessoal.
Novas tecnologias - Os correspondentes bancários e o uso das novas tecnologias têm sido as maiores ameaças ao emprego dos trabalhadores nos bancos, avaliou Vivian Machado. Segundo o Caged, entre fevereiro de 2012 e maio de 2016, foram eliminados 33.986 postos de trabalho no setor bancário.
Ela relatou que os meios virtuais representaram mais da metade das transações em 2015, com o aumento do uso de aparelhos móveis. E o pior é que este processo está apenas começando, pois a internet no Brasil tem ainda muito espaço para crescer, comparado aos países desenvolvidos.
Dentre as novas tecnologias, Vivian Machado citou também o Banco Original, totalmente digital, onde os bancários trabalham em casa (home-office); e o pagamento realizado por meio dos smartphones ou outros aparelhos móveis. Para estimular a queda do atendimento presencial, as instituições financeiras possuem pacotes sem cobranças de tarifas nas transações realizadas por meios eletrônicos, observou.
A técnica do DIEESE chamou a atenção para as tendências no mundo do trabalho dos bancos com o uso das novas tecnologias, como a redução da quantidade de trabalhadores, a alteração do conteúdo do trabalho bancário e os impactos para a organização da categoria e para o sindicalismo brasileiro.
Neste contexto, Vivian relaciona novos desafios à ação sindical, como a mudança na jornada de trabalho bancário ocasionada pelos novos dias e horários de atendimento ampliado aos clientes; a influência dos processos de inovações tecnológicas nas normas que regulam o trabalho; e os novos obstáculos do trabalho remoto e home-office à organização sindical.

Campanha salarial - Sobre as expectativas da campanha salarial deste ano, Emanoel Souza, presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, avaliou que até agosto, quando será votado o impeachment da presidente Dilma no Senado, a campanha deve estar voltada contra o golpe. “É necessário que politizemos a campanha salarial, explicando a categoria o que está por trás do golpe, com a participação dos bancários na vanguarda das discussões sobre a greve geral”, declarou.
Emanoel defendeu que os bancários na campanha salarial devem lutar pela mesa única de negociação, aumento real, garantia do emprego, debater a democratização da mídia e buscar manter a unidade neste contexto de crise política e econômica. “A unidade da categoria vai ser fundamental para enfrentar este processo. Unidade de ação para impedir o golpe e enfrentar uma campanha salarial extremamente difícil”, opinou.

Pesquisa – Os resultados da pesquisa feita com os bancários da base da Bahia e Sergipe sobre a campanha salarial deste ano foram apresentados pelo assessor socioeconômico do Sindicato da Bahia, Vinícius Lins.
Dentre os entrevistados, sobre as prioridades da campanha salarial, 85,3% escolheram o aumento real; 33,5% a ampliação do piso; 67% uma cesta de alimentação maior; 28,4% o auxílio-educação e 59% uma PLR maior.
Demonstrando uma grande preocupação da categoria com as condições de trabalho, 72,5% também indicaram o fim das metas abusivas; e 73,7% o combate ao assédio moral; 52,6% o fim das demissões e mais contratações; 36,2% o fim das terceirizações; 37,8% a jornada de seis horas para todos; e 35,1% a igualdade de oportunidades.
Sobre o índice de aumento real, 48,7% defenderam um aumento de 10,1% e 15%; 28,5% entre 15,1% e 20%; 10,1% um reajuste acima de 20%. Como sinal de mobilização da categoria, 66,5% estão dispostos a participarem da greve e 63,8% das assembleias.
