Encontro das Bancárias da Bahia e Sergipe debate o papel da mulher na sociedade
O papel da mulher na sociedade e o momento político atual foram os temas que movimentaram os debates no 1o Encontro das Bancárias da Bahia e Sergipe, que acontece neste final de semana (02 e 03 de abril), no Águas Claras Beach Resort, em Saubara, Recôncavo Baiano. Participam bancárias e bancários representantes dos sindicatos filiados à Federação.

Na abertura, sábado pela manhã, Grassa Felizola, diretora de Gênero da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, falou sobre a importância do encontro para a categoria bancária e conclamou as mulheres a ocuparem o seu lugar na sociedade: "As mulheres precisam ir pra luta, nas ruas, nas direções dos sindicatos, ocuparem os espaços da sociedade", afirmou.

Já Emanoel Souza, presidente da Federação, destacou que "a luta de gênero é uma luta de toda a sociedade" e que um dos objetivos do encontro é oferecer aos sindicatos diretrizes para uma política de emancipação das mulheres e de luta por seus direitos.

Papel da mulher na sociedade - Ao iniciar os debates, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) relatou as mudanças históricas do papel da mulher na sociedade: "A primeira ação de cerco à mulher foi quando a primeira cerca da propriedade privada foi erguida". Para Alice, nas diversas fases históricas, a mulher tem sido colocada como ser humano de segunda. "E ninguém ainda nos pediu desculpas", lamentou.

No Brasil, a deputada lembrou dos problemas ainda enfrentados pelas mulheres, como as diferenças salariais em relação ao homem, o aumento de homicídio das mulheres negras e a pouca representatividade na política. "Na Câmara de Deputados, entre 513 parlamentares temos 53 mulheres. Agora que chegamos a 10%", informou.
Sobre a situação política, destacou que vivemos hoje um momento especial na história do Brasil, em que temos uma mulher presidente. Alice avaliou que foi formado um megaconsórcio oposicionista, com a participação de estruturas econômicas nacionais e internacionais e da mídia, para derrubar Dilma Rousseff. "A direita quer voltar e a Rede Globo é um instrumento do golpe", denunciou. Para a deputada, o impeachment contra a presidente sem crime de responsabilidade é golpe.
Em relação à Operação Lava Jato, defendeu que é necessário garantir o contraditório e condenar os vazamentos seletivos, as prisões sem condenação e a delação premiada como prova. "Nós não podemos romper com este espaço da legalidade. Temos um papel importante para enfrentar na crise. Na busca, que homens e mulheres no Brasil, lado a lado, lutem contra o golpe e pela democracia", convocou.
Mundo do trabalho e sexo – À tarde, Petilda Vasquez, socióloga e historiadora, fez uma exposição sobre a mulher no mundo do trabalho. Afirmou que atualmente muitas mulheres buscam o reconhecimento a qualquer preço, aceitando a sobrecarga de trabalho.

Para Petilda, o capitalismo precisa da mulher trabalhando por dois. Avalia que há uma banalização do mal extremo no mercado de trabalho, que trata o trabalhador como dispensável e sem importância. Adverte que o limite do trabalho é o corpo, pois o desejo exagerado de demonstrar competência pode levar ao adoecimento.

Na exposição sobre Sexo, Eros e Amor, o médico Adson França formou grupos para discutir questões sexuais e afetivas, como casamento, divórcio, ciúme, prazer, desejo, amor e paixão. "A relação sexual é cultura, é processo, é afeto", concluiu França.
