Fenaban não avança e Comando reforça assembleia e greve

Nada de avanços concretos. Este foi o resultado final da reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban realizada na tarde desta terça-feira (30/8), em São Paulo. No encontro, os patrões afirmaram que não abrem mão do modelo de reajuste, com um índice abaixo da inflação e mais um abono, o que não atende aos interesses dos trabalhadores, que querem aumento real de salário.
Sobre as cláusulas sociais, os bancos sinalizaram com a possibilidade de extensão da licença paternidade, mas só a partir de 2017. Aceitaram ainda discutir o programa de retorno ao trabalho e a transferência em caso do sequestro. Do outro lado, se negaram a colocar o direito à estabilidade na Convenção Coletiva de Trabalho, afirmando que esta é uma questão a ser discutida individualmente por cada banco, além de condicionarem a existência do Vale Cultura à regulamentação nacional, que só garante o benefício até dezembro.
A Fenaban manteve também a proposta de 6,5% de reajuste no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche e abono de R$ 3 mil. O índice não cobre sequer a inflação do período, projetada em 9,57%, e representaria de forma imediata, uma perda de quase 3% nos salários da categoria, que trabalha no setor mais lucrativo da economia.
Diante da postura intransigente, o Comando Nacional reforça a orientação para que os sindicatos convoquem os trabalhadores para uma assembleia nesta quinta-feira, 1º de setembro, e proponha a rejeição da proposta e aprovação do indicativo de greve a partir do dia 6, em todo do país. O calendário inclui ainda uma assembleia de organizativa no dia 5 de setembro.
Para o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza, a negociação de hoje só reafirmou a intenção dos patrões de testar a paciência dos trabalhadores. “A tentativa de retomar a política de abonos é um retrocesso que não será aceito pela categoria, pois o mesmo não é incorporado ao salário e representa perdas a médio e longo prazo. Vamos continuar insistindo em aumento real de salários e ampliação dos direitos”, afirma.
Por isso, a Feebbase orienta que os sindicatos visitem as agências e convoquem todos os trabalhadores da sua base para participar da assembleia e se manifestar sobre a possibilidade de greve a partir do próximo dia 6 de setembro. “A mobilização é a maior arma que temos para vencer a força dos bancos na mesa de negociação. Só a participação de todos pode garantir avanços”, ressalta Emanoel Souza.

