Funcionários denunciam uso político do BB

O governo federal tem usado a estrutura do Estado para tentar reeleger o presidente Jair Bolsonaro. Depois de diversas ações envolvendo a Caixa, as denúncias agora envolvem também o Banco do Brasil. Na última terça-feira (18/10), o banco publicou no sistema de comunicação interna, também conhecido como intranet Corporativa, um texto intitulado “Empatia e proximidade” usando uma foto de produtores rurais fazendo o sinal de arma com as mãos para ilustrar o texto da entrevista com uma gerente de uma das unidades Estilo Agro. O gesto se tornou marca do presidente Jair Bolsonaro.
A foto foi alterada após comentários de bancários denunciando a possível apologia à violência e propaganda política.
Os bancários reclamaram da tentativa de fazer propaganda política para o presidente, mesmo que de forma disfarçada. Afinal, diante de tantas imagens que poderiam representar o agronegócio, não razão objetiva para escolha de uma com conotação política.
Assédio eleitoral
Para o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, a escolha da imagem que remete ao bolsonarismo é preocupante, sobretudo após recente denúncia de trabalhadores que foram solicitados, pelos superiores, a usar camisas de cor amarela durante as atividades do MPE Week e coagidos a postar fotos com a vestimenta em seus próprios perfis nas redes sociais, algo inédito desde que o evento voltado às micro e pequenas empresas foi criado, em 2018.
“Estamos vendo agora, nos noticiários, o registro do Ministério Público do Trabalho sobre o aumento de 58% das denúncias de assédio eleitoral. Ou seja, de empregadores exigindo dos funcionários o voto em determinado candidato, sob ameaça de demissão”, destacou. “Então, nossa avaliação é que essas atitudes da direção e da comunicação do banco acabem resvalando para a promoção do assédio”, concluiu.
