Mesmo com corte, juros reais no Brasil seguem os mais altos do mundo

Mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir a taxa básica de juros da economia (a Selic) de 13, 75% para a 13,25%, nesta quarta-feira (2/8), o Brasil segue como líder do ranking global de juros reais. O corte de 0,5% na Selic, manteve o país na liderança, pela sétima vez consecutiva.
De acordo com o levantamento pela MoneYou, descontada a inflação esperada pelo mercado para aos próximos 12 meses (4,07%), os juros reais brasileiros ficam em 6,68%. Atrás do Brasil, vem o México (6,64%), Colômbia (6,15%) e Chile (4,6%).
Os Estados Unidos e a China, as duas maiores potências econômicas, ficam em 12ª e 13ª posições, com a taxa de juros real em 1,82% e 1,67%, respectivamente.
A última vez em que o BC tinha reduzido a Selic havia sido em agosto de 2020, quando a taxa caiu de 2,25% para 2% ao ano. Depois disso, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis, e, a partir de agosto do ano passado, manteve a taxa em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas.
Comemoração
Entidades de vários setores da economia comemoraram o início do ciclo de cortes na taxa Selic, que era mantida em 13,75% desde agosto do ano passado.
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, ressaltou que a redução do juros deve ter efeito positivo para o crédito e a inadimplência dos brasileiros. “O prosseguimento do ciclo de flexibilização nas próximas reuniões do Copom deverá ter consequências positivas para o mercado de crédito e para a inadimplência”, disse Sidney em nota enviada à imprensa.
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que considera acertada a decisão do BC. A entidade pede cortes maiores nas próximas reuniões porque avalia que os juros ainda estão em níveis contracionistas, que desestimulam a produção e o consumo.
