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O setor bancário tem um papel importante neste momento de crise

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Em entrevista ao Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região, o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Meira Neto, fala sobre a atual conjuntura e as dificuldades diante da pandemia. Confira.

Seeb Conquista - Estamos presenciando um quadro global único, envolvendo impactos sanitários, políticos e econômico. Como você avalia a crise que estamos enfrentando diante da pandemia do Covid-19?

Hermelino Neto - É preocupante. Apesar do caos, este é um momento para a população mundial refletir sobre o modelo político adotado em seus países. Ficou claro que a política de acumulação de renda, exclusão social e falta de investimentos em setores fundamentais, como saúde, saneamento, entre outros foi preponderantes para o agravamento da pandemia. Esse modelo não consegue dar respostas ao graves problemas sociais e às crises. Precisamos caminhar para um modelo de sociedade onde salvar vidas seja mais importante que a economia.

Seeb Conquista - Uma das medidas tomadas em diversos países tem sido o isolamento social. Diante disso, como é possível manter a atividade bancária?

Hermelino Neto - Países que demoraram em adotar o isolamento e da suspensão de atividades econômicas estão pagando um preço muito elevado, com vidas humanas. É complicadíssimo você parar um país todo. Algumas atividades precisam continuar na ativa, como os profissionais da saúde, abastecimento, alimentação, etc. O setor bancário, de certa forma, é uma ponta dessas áreas essenciais, para garantir recursos para a população através de políticas públicas. Mas o oferecimento desse serviço tem que ser ajustado e com segurança para garantir a saúde dos trabalhadores. Nós somos contrários a resolver um problema trazendo outro com a exposição. Por isso, a Federação enviou ofícios ao governador do Estado cobrando providências e exigiu dos bancos ações de prevenção na mesa de negociação.

Seeb Conquista - No Brasil, apesar do presidente se demonstrar contrário ao isolamento social, muitos governadores e prefeitos permanecem colocando em prática a medida indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Como tem sido mediado junto aos bancos a situação das trabalhadoras e trabalhadores do setor bancário?

Hermelino Neto - Diante da postura irresponsável e inconsequente do presidente da República, coube aos prefeitos, aos governos, aos seguimentos patronais, juntamente com os sindicatos tratar desse tema. No caso dos bancários, nós entregamos aos bancos a nossa pauta e conseguimos alguns avanços. O setor bancário tem um papel importante neste momento de crise e a categoria sabe disso, sabe das suas responsabilidades e está contribuindo.

Seeb Conquista - Foi aprovada renda mínima de R$600 para trabalhadoras/es informais e desempregadas/os. Qual a importância de projeto como esse para reduzir os impactos da recessão que está por vir?

Hermelino Neto - Na verdade este valor só será disponibilizado porque foi feita uma articulação de uma frente ampla dos parlamentares, encabeçada pelos partidos de esquerda. O governo insistia em R$ 200 e não queria aumentar o valor, prova disso é que foram vetados pontos importantes como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Nós defendemos que neste momento é necessário ampliar a proteção social, o cuidado aos mais frágeis e aos que mais precisam. O papel do movimento sindical é justamente de apresentar saídas para essa crise, o que está sendo feito com muita responsabilidade. Portanto o projeto é fundamental para garantir a sobrevivência de milhões de brasileiros e amenizar impactos na economia. Mas é importante deixar claro que este governo joga contra os trabalhadores. O governo é lento em implementar as medidas necessárias e a sociedade já está cobrando por meio de panelaços e nas redes sociais.

Seeb Conquista - Como você avalia a Medida Provisória 936 e as escolhas econômicas deste governo?

Hermelino Neto - É interessante que a gente aborde a MP 936. Ela demonstra o grau de irresponsabilidade deste governo com os trabalhadores e sindicatos. Essa medida tira o movimento sindical do debate, como já foi feito anteriormente, e é nociva ao trabalhador, pois não garante direitos e não transfere para os patrões as responsabilidades que eles precisariam ter. Defendemos linhas de créditos para os empresários, com juros baixíssimos e prazo amplo de pagamento, mas condicionado a garantia da estabilidade dos funcionários. Dinheiro público tem que servir à classe trabalhadora, mas o compromisso desse governo é com os interesses do grande capital.
Essa medida tira o movimento sindical do debate, como ele tem feito em algumas medidas nesse sentido.

Seeb Conquista - Diante desse cenário de incerteza, com a necessidade de colocar na mesma balança o bem estar social e economia interna. Qual a importância dos bancos públicos e o seu fortalecimento?

Hermelino Neto - A melhora da qualidade de vida dos brasileiros só será possível com bancos públicos fortes e com governos comprometidos com o social. Sem governos comprometidos com as pessoas, fica muito difícil sair de uma crise. E nos momentos mais difíceis do país os bancos públicos foram os principais responsáveis pela retomada da economia, do crescimento e do desenvolvimento. Os bancos públicos estão presentes na infraestrutura, projeto de moradia, agricultura familiar, financiamento de pequenos e médios empreendedores. Enfim, o papel do banco público é muito forte para diminuir a desigualdade social. Então fortalecer os bancos públicos é pensar grande, pois eles cumprem um papel extremamente importante para a sociedade brasileira.

Seeb Conquista - Como você avalia a reunião do Comando Nacional com os bancos realizada na última semana? Quais os avanços e dificuldades?

Hermelino Neto - Um dos principais itens foi a suspensão dos atendimentos nas agências, com a exceção dos casos de extrema necessidade, como aposentados e pensionistas. Outra questão foi a implantação do teletrabalho e agora já temos mais de 250 mil bancários atuando dessa forma. Reivindicamos também o fornecimento dos EPIs à categoria. Conseguimos grandes vitórias como a garantia da estabilidade em dois grandes bancos privados, o Itaú e o Santander, e também o afastamento das pessoas do grupo de risco. Além disso, ficou acordado que a Fanaban investiria em mídia para que a população não fosse às agências. Tivemos esses avanços, mas continuamos cobrando e realizando reuniões diárias para que a Fenaban responsabilidade neste tema. Nosso objetivo é que os bancários possam ter condições dar a sua contribuição, já que fechar por completo o sistema financeiro seria muito complexo e prejudicaria as pessoas menos favorecidas.

Fonte: Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região.

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