Sergipanos dizem não ao golpe e pedem fora Cunha
Os sergipanos deram uma demonstração de unidade, nesta quarta-feira (16), durante manifestação promovida pela Frente Sergipana Brasil Popular contra o golpe, em defesa da democracia, por uma nova política econômica e pela saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. Militantes de todas as idades, de várias categorias, dirigentes de entidades sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e centrais sindicais, entre elas, a CTB Sergipe, foram às ruas para protestar contra o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, para exigir respeito à democracia e a punição dos envolvidos em atos de corrupção.

A concentração aconteceu na Praça General Valadão, Centro comercial de Aracaju. Em seguida, os manifestantes percorreram as principais ruas do Centro até a Praça da Bandeira gritando palavras de ordem contra o golpe e fora Cunha, acusado de receber propina e de enviar dinheiro de origem suspeita para bancos da Suíça sem declarar à Receita Federal.
Para José Aparecido Santos, da direção da CTB Sergipe, essa unidade das forças populares é fundamental para barrar essa tentativa de golpe. “O que está acontecendo, na verdade, é uma disputa de classes. Uma classe que não aceitou a derrota nas urnas e vai pra cima contra a maioria da população que elegeu a presidenta Dilma, que luta para não perder direitos adquiridos e que quer que o Brasil continue se desenvolvendo”, argumentou.
Adilson Azevedo, da direção do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb/SE), disse que o povo brasileiro, que lutou tanto pela democracia, não pode permitir retrocesso. “O impeachment é um golpe organizado pela direita que perdeu as eleições e percebeu que a esquerda está no caminho certo, que o povo tem sido beneficiado e quer retirar essas conquistas”, disse. Segundo Adilson, a direita considera que os trabalhadores estão há muito tempo no poder, o que é uma inverdade. “Estamos apenas começando a mudar o rumo da nossa história”, disse.
O dirigente do PCdoB de Sergipe e ex-preso político, Bosco Rolemberg, também participou ativamente da manifestação. Para ele, a história se repete. “Quando a classe trabalhadora amplia seus direitos, o processo de democratização começa a se consolidar, respaldado por um governo e aliados eleitos pelo povo e que faz uma experiência alternativa com resultados extremamente positivos, a direita tenta reverter com um golpe. O que ocorre é a disputa de dois projetos: o de ficar subalterno aos Estados Unidos e de flexibilizar a legislação trabalhista contra outro que vem dando certo. A direita então busca subterfúgios jurídicos para derrubar a presidenta e retomar o poder”, afirmou.
A manifestação terminou no início da noite, mas a Frente Sergipana Brasil Popular não descarta e realização de outros atos na defesa da democracia e fora Cunha.
Niúra Belfort
Ascom CTB/SE
