Sergipanos dizem não ao PL 4330 da terceirização sem limites
Milhares de trabalhadores sergipanos atenderam ao chamado das centrais sindicais e foram às ruas de Aracaju para dizer não ao Projeto de Lei (PL) 4330/2004, que amplia a contratação de mão de obra terceirizada no país. As manifestações começaram nas primeiras horas desta terça-feira (15) por volta da 5h30, com um ato em frente à Petrobras, no Bairro Ponto Novo.

Às 7 horas, o protesto foi na frente da sede do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Sergipe e, às 8h, no Calçadão da João Pessoa. Em seguida, os trabalhadores saíram em caminhada pelas principais ruas do Centro da capital. À tarde, ocorreu a maior concentração de manifestantes. Eles ocuparam o Parque da Sementeira, no Bairro Jardins, e seguiram numa grande marcha até o Palácio de Despachos, sede do governo do estado.
Os atos, convocados pela CTB-SE, CUT-SE, UGT-SE e CSP/Conlutas, contou com a participação de lideranças sindicais e do movimento popular. Por unanimidade, eles rejeitaram o PL que precariza as relações de trabalho e acaba com a CLT.
Nos protestos, havia bancários, servidores públicos, oficiais da Marinha Mercante, enfermeiros, trabalhadores da construção civil, petroleiros, professores, jornalistas, radialistas, representantes da juventude, dos movimentos sociais e de entidades sindicais.
Rejeição
Durante as manifestações, Edival Góes, presidente da CTB-SE, disse que a luta dos trabalhadores está apenas começando. “Se o projeto passar na Câmara, vamos lutar para que ele seja rejeitado no Senado e, em último caso, vamos apelar para a presidente Dilma para que ela não sancione o PL 4330 que é um golpe contra a classe trabalhadora”, salientou.
Ronildo Almeida, presidente da UGT-SE, fez coro com Edival e ressaltou que a central irá às ruas, tantas vezes sejam necessárias, para lutar contra esse projeto nefasto para a classe trabalhadora. Ao lado de Edival e Ronildo, o presidente da CUT-SE, Rubens Marques, o professor Dudu, lembrou que esse projeto penaliza, principalmente, a juventude que sonha com um emprego estável. “Se o PL 4330 passar, não haverá mais concurso público”, salientou.
Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB e presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, ressaltou que os dados do Dieese mostram as condições em que os terceirizados desempenham suas funções. Eles recebem 30% menos que os demais empregados da empresa contratante para desenvolver a mesma tarefa e são as maiores vítimas de acidentes de trabalho.
A dirigente da CTB denunciou os nomes dos cinco deputados federais do estado que votaram a favor do PL, dos quais três são empresários – Laércio Oliveira, Fábio Reis e Fábio Mitidieri -, o radialista Adelson Barreto e um político profissional que nunca trabalhou, André Moura. Apenas dois deputados federais da bancada de Sergipe votaram contra o PL 4330: João Daniel e Jony Marcos.
Por Niúra Belfort - CTB-SE
