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36º CNFBB começa com defesa do papel público do Banco do Brasil

O 36º Congresso Nacional dos Funcionários e das Funcionárias do Banco do Brasil (CNFBB) começou nesta quarta-feira (17/6), em São Paulo, com a leitura do manifesto "Tolerância zero para casos de violência e assédio", realizada pela coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Fernanda Lopes.

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“Conjuntura e papel do BB como banco público” foi o tema da primeira mesa de debates do evento, que teve o economista e ex-técnico do Dieese Jorge Gouvêia como palestrante. Ele fez uma ampla análise sobre as instituições responsáveis pela regulamentação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a necessidade de discutir um novo modelo regulatório para um SFN a serviço do desenvolvimento econômico que favoreça toda a sociedade.

Gouvêia também apontou que o Banco Central acumula funções que podem gerar conflitos de interesse na regulação e fiscalização, na gestão da moeda — controle da inflação e das taxas de juros — e na gestão do câmbio.

Papel público do BB

Para o economista, como sociedade de economia mista, o Banco do Brasil sofre uma tensão entre sua função social como empresa estatal e a busca pela geração de valor para os acionistas.

"Como sociedade de economia mista, o BB deve cumprir sua função social, atendendo ao interesse coletivo e servindo como instrumento da política creditícia do governo federal. Mas, até 2016, legalmente, sua função estava focada em promover o desenvolvimento sustentável e a inclusão social e produtiva. A partir daquele ano, o Banco do Brasil passou a se definir como um 'Banco de Mercado com Espírito Público', priorizando a rentabilidade, a experiência do cliente e a transformação digital. E foi essa mudança estratégica que resultou na perda de mercado para bancos privados, como o Itaú, em 2018, devido à exclusão de segmentos considerados menos rentáveis", completou.

As consequências dessa mudança, destacou o economista, foram um banco que passou a atender cada vez mais aos interesses dos acionistas e menos aos interesses da população. Em 2025, o banco apresentou distribuição de lucros entre 40% e 45%, bem acima do mínimo obrigatório de 25%. Paralelamente a isso, houve redução na participação dos créditos voltados para micro e pequenas empresas e para a agricultura familiar (Pronaf).

"Em dez anos, de junho de 2016 a março de 2026, a rede de agências no Brasil sofreu um corte significativo, passando de 5.428 para 3.942", destacou Gouvêia.

O economista também ressaltou que, no mesmo período, houve redução de 24.996 postos de trabalho (-22,8%). "O número de clientes por funcionário subiu 83,7%, e o número de clientes por agência quase dobrou, com aumento de 95,3%. Houve uma elitização da clientela, focada em clientes com alta maturidade digital, transferindo os custos do serviço para o autoatendimento remoto", ponderou.

O palestrante relembrou que, na crise financeira de 2008, o BB exerceu com sucesso sua função pública, aumentando sua participação no mercado para compensar a retração de outras instituições e ampliando a oferta de crédito. Entre dezembro de 2007 e dezembro de 2010, a participação do BB na oferta de crédito no país subiu de 5,2% para 8,9% do PIB.

Em 2012, o BB também se destacou por liderar a redução das taxas de juros por meio do programa "Bom para Todos". "Para reverter a trajetória recente e fazer com que o BB volte a reforçar seu papel social, é necessário que o Estado volte a atuar como controlador ativo, assegurando que o interesse público prevaleça. Também é necessária a revisão das metas de rentabilidade, para que o potencial de oferta de crédito não seja subutilizado em nome de retornos livres de risco. Por último, é preciso resgatar o mandato de instituição financeira pública para enfrentar os novos desafios econômicos e sociais", concluiu o economista.

Fonte: Contraf – CUT.

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