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Bancos usam tecnologia para aumentar lucros e diminuir empregos

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O investimento dos bancos que atuam no Brasil em tecnologia cresceu 97% entre 2018 e 2023. Para 2025, a previsão é de que os bancos devem investir perto de R$ 50 bilhões no setor. O resultado disso é a forte mudança na forma como as transações financeiras acontecem hoje. Dados mais recentes, da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), mostram que, em 2024, 75% das transações estavam sendo feitas pelo celular (mobile banking).

As informações foram repassadas pela economista do Dieese Vivian Machado, durante a mesa "Novas Tecnologias, reestruturação e transformação do emprego no ramo financeiro", durante a 27ª Conferência Nacional dos Bancários.

Vivian também apontou que os bancos têm usado intensamente a automação nos processos. "Mais de oito em cada dez bancos já incorporam IA generativa (GenAI) nas operações", continuou. "E essa intensificação no uso das novas tecnologias está gerando ganhos de eficiência mensuráveis. O levantamento da Febraban aponta que os bancos registraram taxa de eficiência superior a 20% após a implementação da IA e da IA generativa", completou.

Por outro lado, os avanços tecnológicos também aumentam os riscos sobre o SFN. "Tivemos casos emblemáticos e muito recentes nesse sentido, como o desvio de R$ 800 milhões, por hackers, após invadirem empresa que conectava instituições ao PIX. Esse cenário está, inclusive, aumentando a relevância da cibersegurança para o setor", destacou.

Emprego bancário

Diante de todas essas transformações, os lucros dos bancos do país continuam em expansão. "Aliás, o crescimento foi substancial: em doze meses, os cinco maiores bancos aumentaram seus lucros em R$ 126,7 bilhões, alta média de 18%", pontuou Vivian Machado.

Por outro lado, desde 2016 o setor bancário fechou 6.700 agências (com redução de 30%). Esse movimento foi contrário ao das cooperativas de crédito, que abriram 4.785 postos de atendimento (alta de 102% no período) e dos Correspondentes Bancários (Cobans), que possuem cerca de 240 mil postos de atendimento, 14 vezes mais do que as agências bancárias atualmente.

As cooperativas de crédito também tiveram crescimento expressivo: em 2013 eram responsáveis por 11% da rede de atendimento, percentual que passou para 28%, em 2024. "Atualmente, os produtos e serviços oferecidos pelas cooperativas abrangem todas as esferas de produtos bancários", acrescentou Vivian Machado.

Das 10 instituições financeiras com mais clientes no país, hoje quatro são instituições de pagamento: NuBank, Mercado Pago, PicPay e PagSeguro. "Aqui, nós entramos no debate das fintechs, empresas de tecnologia que atuam no sistema financeiro. As que hoje são abarcadas pela regulamentação do Banco Central somam 330 instituições, ante 175 bancos. As maiores fintechs, oferecem contas, cartões, empréstimos, financiamentos, investimentos, seguros, tal como um banco", observou.

Como forma de assegurar o emprego bancário, diante das mudanças tecnológicas no SFN, Vivian ressaltou as conquistas do movimento sindical bancário, nas última Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), incluindo mesa permanente de negociações sobre os impactos da IA nos empregos e o compromisso dos bancos de investirem na requalificação voltada às novas tecnologias.

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