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Nada de proposta para o Saúde Caixa

A direção da Caixa frustrou a expectativa dos trabalhadores mais uma vez e não apresentou uma nova proposta para o Saúde Caixa, na rodada de negociações com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) do banco, realizada na noite desta terça-feira (25/8), em São Paulo. O banco reconheceu a forte insatisfação das empregadas e empregados com as duas propostas apresentadas anteriormente e afirmou que decidiu aprofundar os estudos antes de levar um novo modelo à mesa. O objetivo é construir uma proposta que tenha maior possibilidade de ser acolhida pelos empregados e que, ao mesmo tempo, seja sustentável para o Saúde Caixa e para a própria Caixa.

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A CEE ressaltou que havia grande expectativa pela apresentação de uma nova proposta nesta terça-feira, uma vez que o próprio banco havia sinalizado anteriormente que voltaria à mesa com uma alternativa para o plano. A representação dos empregados cobrou que a proposta seja apresentada o quanto antes.

A representação dos empregados reiterou ainda a reivindicação de que a Caixa volte a responder por 70% das despesas do Saúde Caixa, ficando os 30% restantes sob responsabilidade dos beneficiários. Também voltou a defender a retirada do teto de 6,5% da folha de pagamento e proventos que limita a participação financeira do banco.

“A mobilização dos empregados mostrou que proposta ruim para o Saúde Caixa encontra resistência. Agora é preciso manter a pressão para que a Caixa volte à mesa com uma proposta que respeite o 70/30, aumente sua responsabilidade no financiamento e não transfira aos empregados e aposentados o crescimento dos custos do plano”, ressaltou o segundo Coordenador da CTB Bancários, Carlos Lima, que representou a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe na rodada desta terça-feira.

Saúde Integral

Mesmo sem apresentar uma nova proposta para o Saúde Caixa, o banco levou à mesa avanços relacionados à política de Saúde Integral. A proposta busca ampliar o foco preventivo e o acompanhamento multidisciplinar, considerando não apenas a saúde física, mas também aspectos emocionais, mentais e sociais dos empregados.

Entre as frentes apresentadas estão linhas de cuidado voltadas à saúde cardiometabólica, hábitos de vida, saúde mental e problemas osteomusculares, além da ampliação de ações de prevenção cardiovascular e de acompanhamento de dependências, incluindo tabagismo, dependência química e problemas relacionados a jogos.

A Caixa informou que pretende custear os novos programas, como já ocorre em iniciativas como Saúde da Mulher e Saúde do Homem. A operacionalização ainda está sendo detalhada, e a expectativa do banco é que as novas medidas entrem em vigor a partir de janeiro, caso sejam incorporadas ao acordo.

A representação dos empregados avaliou positivamente a ampliação das iniciativas preventivas, mas ressaltou que uma política efetiva de Saúde Integral precisa enfrentar também as causas do adoecimento relacionadas à organização e às condições de trabalho.

Durante o debate, os representantes dos empregados relacionaram a proposta às novas obrigações de prevenção e gerenciamento dos riscos psicossociais no trabalho e ressaltaram que questões como pressão excessiva, formas de cobrança de resultados, sobrecarga e outras práticas organizacionais precisam fazer parte da política de prevenção.

A CEE também destacou que investir em prevenção pode produzir efeitos positivos tanto para a saúde dos empregados quanto para a sustentabilidade do Saúde Caixa.

Outro ponto levantado foi a transparência sobre o financiamento dos novos programas. Os representantes dos empregados cobraram que fique claro que as despesas das iniciativas de Saúde Integral serão arcadas pela Caixa, sem serem transferidas para o plano e, consequentemente, para os beneficiários.

Diversidade, equidade e inclusão

A negociação também avançou na discussão sobre diversidade, equidade e inclusão. A Caixa apresentou propostas para ampliar a cláusula do acordo coletivo que trata do tema, com atualização permanente das diretrizes internas, realização periódica do Censo da Diversidade, enfrentamento aos vieses inconscientes, fortalecimento dos coletivos de diversidade e medidas relacionadas à equidade de gênero, raça e acessibilidade.

O banco propôs ainda capacitações recorrentes sobre vieses inconscientes, principalmente para integrantes da alta gestão e participantes das bancas de seleção. A avaliação apresentada na mesa foi de que esses vieses podem influenciar processos de promoção e sucessão mesmo quando as decisões são percebidas como objetivas.

A representação dos empregados defendeu que os compromissos sejam transformados em mecanismos mais sólidos e permanentes no acordo coletivo, com impacto concreto nos processos internos.

A CEE apresentou à Caixa uma proposta própria de redação para a cláusula. Após uma pausa para análise, o banco informou que o texto apresentado pelos empregados converge com a linha que vinha sendo construída pela empresa. Ficou acertado que os ajustes necessários serão trabalhados entre as assessorias jurídicas da Caixa e da Contraf-CUT/CEE para a construção da redação final.

Enquadramento como PCD

A Caixa apresentou ainda uma proposta para reformular o processo de reconhecimento e enquadramento dos empregados como pessoas com deficiência (PCDs), inclusive com Transtorno de Espectro Autista (TEA).

O objetivo é estabelecer um fluxo mais simples, padronizado e transparente, com orientação prévia ao empregado sobre os documentos necessários, análise pela Medicina do Trabalho e avaliação técnica. Quando necessário, poderá haver avaliação biopsicossocial e multiprofissional. O processo também deverá identificar necessidades como tecnologia assistiva, adaptação do posto de trabalho e outros recursos indispensáveis ao empregado.

A representação dos empregados avaliou que a simplificação do procedimento representa avanço, mas cobrou aperfeiçoamentos, principalmente para evitar subjetividade no enquadramento das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Também foram reiteradas as reivindicações de prioridade no teletrabalho para PCDs e de redução de jornada para esse público.

Outra cobrança foi maior agilidade nas adaptações dos locais e postos de trabalho. Foram relatados casos em que empregados precisaram aguardar intervenções de infraestrutura, como instalação de rampas ou outras adaptações, e situações em que o teletrabalho se tornou necessário pela inexistência de uma unidade fisicamente acessível. Também foi ressaltada a responsabilidade da Caixa pelo fornecimento de mobiliário e equipamentos específicos quando necessários.

A Caixa informou que existe convergência sobre a necessidade de avançar no enquadramento e considerou a proposta apresentada uma etapa importante da negociação, enquanto outras reivindicações relacionadas aos PCDs permanecem em análise.

Ausências permitidas

O banco também apresentou propostas relacionadas às ausências permitidas aos empregados.

Entre as propostas apresentadas estão:

•  retirada do limite de 18 anos para utilização das horas destinadas ao acompanhamento de filho ou enteado em consulta médica;

•   criação da chamada “Ausência Fique Bem”, permitindo que as horas hoje utilizadas para acompanhamento de dependentes possam ser usadas pelo próprio empregado para consultas e cuidados com a saúde;

•   possibilidade de utilização de determinadas licenças, como casamento e paternidade, em até 180 dias após o fato gerador;

•   até três dias por ano para realização de exames preventivos de câncer e HPV;

•   até dez dias anuais para empregados de alto rendimento convocados para representar o Brasil em competições esportivas ou paradesportivas oficiais, com previsão de implementação em janeiro de 2027.

Negociações continuam nesta quarta-feira

As negociações específicas entre a CEE/Caixa e o banco continuam nesta quarta-feira (26), em São Paulo, após a rodada da mesa única da Campanha Nacional dos Bancários entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

A CEE seguirá cobrando respostas às reivindicações da pauta específica e, principalmente, a apresentação de uma proposta para o Saúde Caixa que assegure a sustentabilidade e a qualidade do plano sem ampliar o peso de seu custeio sobre as empregadas e empregados.

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