Nota de repúdio: Caixa transforma negociação coletiva em ameaça e ataca direitos dos empregados

A Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase) manifesta seu mais veemente repúdio ao comunicado divulgado pela Caixa Econômica Federal aos seus empregados, no qual a empresa anuncia a retirada de direitos e benefícios previstos no ACT 2024/2026 após a categoria rejeitar a proposta apresentada nas negociações coletivas.
A Caixa tenta transformar o encerramento da vigência do ACT em instrumento de pressão, intimidação e constrangimento sobre os empregados, fazendo recair sobre a categoria as consequências de um processo negocial que deveria ser conduzido com responsabilidade, diálogo e respeito à representação dos trabalhadores.
É importante distinguir duas questões: a legislação estabelece limites à duração dos instrumentos coletivos e veda sua ultratividade. Isso, porém, não autoriza a Caixa a abandonar o diálogo, ameaçar direitos ou utilizar benefícios essenciais como mecanismo de pressão para forçar a aceitação de uma proposta rejeitada pelos empregados.
O comunicado torna-se ainda mais grave ao afirmar que, sem um novo ACT, deixariam de produzir efeitos reajustes, benefícios, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e vantagens historicamente conquistadas pela categoria. Não aceitaremos que a negociação coletiva seja transformada em chantagem.
A responsabilidade pela construção de uma solução negociada é de ambas as partes. Se a proposta foi rejeitada pelas assembleias, cabe à Caixa respeitar a decisão democrática dos trabalhadores e retomar as negociações, em vez de criar um cenário de retirada de direitos com o objetivo de pressionar a categoria pela aprovação de sua proposta.
O Saúde Caixa não pode ser usado como instrumento de pressão.
O anúncio da manutenção do Saúde Caixa por apenas 60 dias causa especial preocupação, pois se trata de um benefício essencial para milhares de empregados, aposentados e seus dependentes. A assistência à saúde não pode ser tratada como instrumento de pressão em uma disputa negocial.
A Caixa tem responsabilidade social, institucional e administrativa com seus empregados e beneficiários. O comunicado divulgado pela empresa amplia a insegurança justamente em um momento no qual deveria prevalecer a busca por uma solução negociada e sustentável para o plano.
A Caixa tem condições de negociar
A própria instituição divulgou lucro líquido recorrente de R$ 7,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, demonstrando a dimensão e a solidez da empresa. Não é aceitável que uma empresa pública dessa importância apresente aos seus empregados um cenário de retirada de benefícios como resposta à rejeição de uma proposta em um processo democrático de negociação.
Os trabalhadores da Caixa não são responsáveis pelos impasses da negociação. São eles que constroem diariamente os resultados da empresa. Diante da forma como a área de Pessoas vem conduzindo esse processo, a Feebbase entende que houve perda de confiança na condução da política de relações de trabalho da empresa.
A área responsável por cuidar das pessoas deve ser um espaço de diálogo, respeito, construção e mediação, e não de confronto, intimidação e pressão.
Negociar é o caminho
A Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase) reafirma que continuará defendendo os direitos dos empregados da Caixa e cobrando a retomada imediata das negociações.
A categoria não aceitará retrocessos impostos por comunicados internos. Direitos não são concessões. São resultado da organização e da luta dos trabalhadores.
A Caixa deve abandonar o tom de ameaça, respeitar a decisão soberana das assembleias e retornar à mesa de negociação para construir um acordo que seja efetivamente aceitável para os empregados.
Nenhum direito a menos. Saúde Caixa para todos. Respeito à negociação coletiva.
Responsabilidade na gestão da Caixa.
Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe – Feebbase
