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Campanha Salarial 2026

COE cobra do Itaú transparência e avanços na negociação

29.9.26 negociacao itau bc5f8

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) e a direção do Itaú se reuniram nesta terça-feira (29/9), em São Paulo, para dar continuidade às negociações da pauta de reivindicações construída nos encontros regionais e nacional dos funcionários. Os principais temas em debate foram fechamento de agências e a realocação de trabalhadores, reestruturação do Segmento Empresas, cobrança de metas, plano de saúde, as certificações ANBIMA, a Fundação Itaú/Franprev e a renovação do Acordo Macro.

Um dos principais pontos da reunião foi o processo de fechamento de agências. A COE reivindicou o fim das demissões decorrentes do encerramento das unidades e a realocação de todos os trabalhadores envolvidos.

O banco informou que 11 trabalhadores de todo o país foram contemplados em setembro pelo Programa de Requalificação e Indenização previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2028 para bancários oriundos de agências que encerraram suas atividades. Segundo o Itaú, os demais trabalhadores envolvidos nos processos de fechamento foram realocados.

A COE reivindicou a ampliação do programa para todo o Varejo e também para as Agências Digitais. Entre os pontos apresentados estão a inclusão de trabalhadores que pedirem demissão em razão do encerramento da agência, a ampliação do prazo de 90 para 180 dias e a extensão do direito aos trabalhadores das unidades que recebem aqueles oriundos de agências fechadas.

Reestruturação do Segmento Empresas e cobrança de metas

A COE também apresentou as preocupações dos trabalhadores com a reestruturação do Segmento Empresas, especialmente em relação às regras de remuneração variável, à definição e cobrança de metas e aos critérios de avaliação. Foram relatadas situações de intensificação da cobrança, além de casos em que trabalhadores atingem as metas estabelecidas e, ainda assim, permanecem classificados como “abaixo do esperado”, sem clareza sobre os critérios utilizados.

A comissão questionou a alteração de parâmetros durante os ciclos de avaliação, a utilização de resultados individuais e coletivos para justificar classificações e impactos na remuneração variável, além de cobranças fora da jornada de trabalho.

Os representantes dos trabalhadores reivindicaram critérios objetivos e transparentes para definição, acompanhamento e avaliação das metas; objetivos previamente informados, factíveis e compatíveis com o porte das carteiras; proibição de alterações unilaterais durante o ciclo; transparência na classificação dos trabalhadores e regras claras para o uso do WhatsApp e de outras ferramentas de comunicação.

O banco informou que o responsável pela área de Remuneração Variável do Segmento Empresas participará da próxima reunião para esclarecer a metodologia de definição e avaliação das metas.

Sobre as diferenças salariais relatadas entre trabalhadores que exercem funções semelhantes, o Itaú informou que incorporou remunerações variáveis de trabalhadores que recebiam valores médios e atribuiu outra parte das diferenças ao porte das carteiras.

Renovação do Acordo Macro e monitoramento do trabalho

A renovação do Acordo Macro também entrou na pauta da reunião. A COE solicitou ao Itaú um quadro atualizado do Banco de Horas, com informações necessárias para o acompanhamento do tema.

Outro ponto de destaque foi a Gestão e Ética na fiscalização do trabalho. A COE questionou as ferramentas utilizadas pelo banco para monitorar e medir a atividade dos funcionários e reivindicou maior transparência sobre os mecanismos empregados.

A COE apresentou ainda questionamentos sobre a renovação e atualização das certificações da ANBIMA, especialmente em relação aos custos necessários para a conclusão dos processos e às dúvidas sobre a nova certificação CPA, CPRO-R, inclusive para trabalhadores licenciados. O banco informou que apresentará aos sindicatos um passo a passo atualizado para renovação e obtenção das certificações e também produzirá um comunicado para orientar os bancários sobre os procedimentos.

Outros temas

A COE solicitou a reabertura das discussões sobre o plano de saúde, tanto para trabalhadores ativos quanto para aposentados.

Em relação aos aposentados, o banco informou que, em seu entendimento, não há mais espaço para negociação, sob a alegação de que o tema já teria sido esgotado nas mesas de negociação e posteriormente encaminhado para ações judiciais e audiências públicas. A posição foi criticada pela COE.

Sobre o plano de saúde dos trabalhadores ativos, a COE questionou os critérios de cobrança de coparticipação, considerados abusivos pelos representantes dos trabalhadores. O banco apresentou entendimento diferente e ficou de levar à próxima reunião informações sobre o modelo atualmente utilizado e os critérios de cobrança.

Os representantes dos funcionários cobraram do banco também os dados de turnover, que haviam sido solicitados para esta reunião, mas que não foram apresentados. As informações deveriam contemplar números de trabalhadores admitidos e demitidos, além dos desligamentos relacionados aos processos de encerramento de agências. A comissão seguirá cobrando as informações para acompanhar a movimentação do quadro de funcionários e os impactos das reestruturações.

A COE solicitou ainda a abertura de uma discussão específica sobre o Plano da Fundação Itaú/Franprev. Os representantes dos trabalhadores informaram que apresentarão ao banco uma pauta específica para que o tema seja debatido em uma próxima reunião.

Reunião importante

Para a diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), Luciana Dória, a reunião foi importante para retomar os debates e, principalmente, reforçar as cobranças das demandas específicas dos funcionários, que não são poucas! A pauta foi extensa, mas a COE fez questão de levar à mesa os principais questionamentos dos trabalhadores e exigir respostas rápidas e concretas.

“Não vamos aceitar que esses novos modelos tragam prejuízos às carreiras, muito menos à remuneração dos trabalhadores. Mudanças que afetam a vida profissional precisam ser discutidas com transparência, responsabilidade e respeito. A renovação da Anbima, especialmente entre os licenciados, também exige uma comunicação clara e eficaz sobre as novas regras. Os funcionários precisam ter segurança e não podem ser deixados à mercê de dúvidas e incertezas”, ressaltou a diretora da Feebbase, que integra a COE Itaú.

Luciana destacou também que o plano de saúde dos aposentados é outra questão que o banco não pode continuar ignorando. Mesmo diante da negativa apresentada na mesa em reabrir esse debate, não vamos recuar. "Seguiremos cobrando, pressionando e defendendo os direitos dos trabalhadores". 

Próxima reunião

A próxima rodada de negociação entre a COE Itaú e a direção do banco está marcada para 7 de outubro de 2026. Entre os principais temas previstos estão a renovação do Acordo Macro e a indenização aos trabalhadores envolvidos nos processos de encerramento de agências.

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