COE questiona Itaú sobre o fechamento de agências, CCV, plano de saúde e GERA

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) se reuniu com a direção do Itaú nesta quarta-feira (11/3), em São Paulo, para tratar de diversos temas de interesse dos trabalhadores, como o fechamento de agências, a renovação do acordo da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), o reajuste do plano de saúde e problemas relacionados ao programa GERA.
Um dos temas centrais do encontro foi o fechamento de agências. O Itaú informou que 250 unidades foram encerradas em 2025 e outras 188 deverão ser fechadas até maio de 2026.
Os representantes dos trabalhadores criticaram a falta de critérios claros para esses fechamentos e alertaram para o impacto social da medida, principalmente em cidades que estão ficando sem atendimento bancário presencial. Outro ponto levantado foi a situação dos trabalhadores das agências receptoras, que sofrem com o aumento da demanda sem a estrutura adequada e metas desproporcionais à nova realidade.
O banco afirmou que está passando por um processo de reestruturação e mudança no modelo de atendimento e que estudos estão sendo realizados para definir novos formatos de relacionamento com os clientes e haverá a criação de um segmento específico voltado para aposentados. A instituição também informou que 75% dos trabalhadores impactados pelo fechamento de unidades foram realocados em 2025.
“A reunião foi tensa diante do acelerado processo de fechamento de agências iniciado em 2026. Na Bahia, o número de unidades com previsão de encerramento até abril já se iguala ao total de todo o ano de 2025. Cobramos do banco responsabilidade social diante dos impactos à população e denunciamos a sobrecarga e a tensão a que os empregados vêm sendo submetidos. Não é admissível que uma reestruturação dessa magnitude seja conduzida de forma desordenada, com potenciais violações de direitos. O movimento sindical seguirá levando essas irregularidades aos órgãos fiscalizadores e cobrando as medidas e autuações cabíveis para a devida salvaguarda dos direitos”, ressaltou a diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Luciana Dória, que integra a COE Itaú.
Durante a reunião, Luciana falou sobre a situação da Bahia, onde as agências receptoras são distantes das que estão sendo encerradas, chegando a alcançar 180km. “Algumas não têm estrutura de acessibilidade, como é o caso de Camaçari, que deslocará 3.000 beneficiários para uma agência sem estrutura para idosos e pessoas com deficiência”.
CCV e plano de saúde
Outra tema debatido foi a Comissão de Conciliação Voluntária (CCV). O acordo da CCV vence em abril e os representantes dos trabalhadores solicitaram que o banco retome a homologação das rescisões nos sindicatos. Também foi pedida a inclusão, entre os itens analisados pela CCV, da manutenção do plano de saúde para trabalhadores que possuem doenças graves e estejam em tratamento, bem como a preservação das condições da taxa de crédito imobiliário para empregados desligados, como se ainda estivessem na ativa.
Na reunião, o banco apresentou ainda os novos índices de reajuste do plano de saúde, alegando crescimento da sinistralidade. O aumento será de 9,8% para a Fundação Itaú e de 10,37% para os beneficiários da Unimed.
Os representantes dos trabalhadores contestaram os valores considerados abusivos e criticaram a cobrança sem limite de coparticipação no plano dos trabalhadores da ativa. Também foi cobrada a correção do valor de reembolso, que segundo os dirigentes sindicais está defasado há anos. A COE solicitou ainda que o banco apresente os números reais dos gastos com o plano de saúde e reivindicou uma negociação específica para discutir o tema.
Programa GERA
Outro tema abordado na reunião foi o programa de metas GERA. A COE apresentou uma série de questionamentos relacionados ao funcionamento do sistema, como penalizações indevidas, dificuldades no acompanhamento das metas, falhas na ferramenta “Fale com o GERA” e cobranças consideradas desproporcionais nas agências.
Os representantes dos trabalhadores também apontaram problemas na remuneração variável, que está congelada há mais de dez anos, apesar do aumento das metas e da complexidade das funções. Foram apresentados também questionamentos sobre o programa Smart Pró.
Segundo o banco, as demandas apresentadas serão analisadas e as respostas deverão ser apresentadas em uma próxima reunião, que ainda será agendada.

