Comando defende direitos e cobra propostas concretas da Fenaban

As negociações da campanha salarial continuam. Na rodada desta sexta-feira (14/8), o Comando Nacional dos Bancários debateu com a Fenaban as cláusulas sociais e econômicas da minuta de reivindicações e cobrou respostas concretas para as demandas da categoria. A expectativa é de que os bancos apresentem uma proposta global na próxima reunião, que acontecerá na terça-feira (18).
A discussão começou com as cláusulas sociais, que contempla temas como terceirização, comissão sobre mudanças tecnológicas, isenção de tarifas bancárias, indenização adicional, programa de preparação para a aposentadoria, comissão de segurança bancária, renovação da CCT Relações Sindicais, livre acesso dos dirigentes sindicais, sindicalização, contribuição negocial, plano de previdência complementar e estabilidade da pré-aposentadoria.
O Comando propôs adiantar também o debate das cláusulas econômicas: reajuste salarial, Plano de Cargos e Salários (PCS), isonomia salarial, auxílios refeição e alimentação maior, auxílio creche babá, regulamentação da remuneração total, além da participação nos lucros e resultados (PLR).
Embora não tenham apresentado propostas para as demandas, os bancos fizeram algumas provocações que demonstram o interesse de retirar direitos dos funcionários. Questionaram se vale a pena a manutenção da cláusula que garante a estabilidade pré-aposentadoria, argumentaram que o pagamento simultâneo do vale alimentação e do vale refeição não tem segurança jurídica e disseram que querem discutir a 7ª e 8ª hora. Foram muito escorregadios também em relação à terceirização e não garantiram que não contratarão terceirizados.
Após ouvirem as reivindicações sobre a PLR, disseram também que 21 bancos tiveram prejuízo no ano passado. Informação que não se sustenta, com base nos balanços das instituições. No início do encontro, o Comando mostrou que quatro bancos (BB, Bradesco, Itaú e Santander) reduziram em R$ 267 milhões os gastos com água, luz, gás, vigilância, segurança e viagens durante a pandemia. A estimativa é de que a redução total com despesa de pessoal chegue a R$ 1 bilhão neste período. Uma demonstração clara de que o setor bancário sempre ganha, mesmo durante as crises.
“Estamos aguardando que eles apresentem uma proposta global na terça feira, incluindo índice e PLR. Nós queremos uma resposta o mais rápido possível. Apesar dos bancos estarem reclamando, a lucratividade é grande. A categoria tem se empenhado tanto, mesmo neste momento de pandemia, e merece uma proposta decente”, afirmou o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, que integra o Comando Nacional.

