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Denúncias de assédio eleitoral já chegam a 903 casos

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A quantidade de denúncias registradas pelo Ministério Público do Trabalho tem subido diariamente. Até segunda (17) eram 376 casos de assédio eleitoral. Sindicalista diz que setor patronal defende Bolsonaro porque o governo retira direitos dos trabalhadores

As denúncias de assédio eleitoral a trabalhadores vêm crescendo a cada dia. Até esta quinta-feira (20/10), o Ministério Público do Trabalho (MPT) registou 903 casos, envolvendo 750 empresas. O número é quatro vezes maior que o registrado em 2018, quando houve 212 denúncias contra 98 empresários.

O número de casos podem aumentar ainda mais até o dia 30 de outubro, quando acontece o segundo turno das eleições presidenciais, pois as denúncias tem subido a cada dia. Na segunda (17), por exemplo, eram 376 denúncias de assédio eleitoral. Dois dias depois, já se somavam 706 queixas. E, somente de quarta para ontem, mais 197 casos de coação foram registrados em todo o país. Aumento de 27,9% em apenas um dia.

Muitos trabalhadores começaram a denunciar a tentativa de coação dos patrões, após os primeiros casos virem a público na grande imprensa.

O assédio eleitoral ocorre na tentativa de empresas e/ou empregadores de influenciar no voto dos empregados, seja por meio de ameaças, como demissão, ou oferecendo algum tipo de benefício, nesse caso, folgas e bônus. A conduta, no entanto, pode caracterizar crime. Segundo o MPT, a região Sudeste é a que mais contabiliza casos até o momento, com 382 denúncias. O estado de Minas Gerais é o segundo com maior número de registros, totalizando 254.

O ranking é seguido pela região Sul, com 261 casos de coação eleitoral no ambiente de trabalho. Nos episódios que vieram a público até agora, o denominador comum é o pedido de votos no atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), ou contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como ocorreu na empresa Stara, de máquinas e implementos agrícolas sediada no Rio Grande do Sul. No local, o empresário Marcelo Dominici, do Grupo Terra Boa, foi filmado fazendo um discurso de 15 minutos para os trabalhadores pedindo votos em Bolsonaro. 

As entidades sindicais estão atuando para combater o assédio eleitoral nas empresas. Além de realizar manifestações para informar o trabalhador sobre seus direitos, as centrais sindicais lançaram também um site para receber denúncias sobre este tipo e crime. O site Assédio Eleitoral é Crime pode ser acessado no endereço https://assedioeleitoralecrime.com.br.

A denúncia é a anônima e será encaminhada ao MPT.

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