Funcionários do BNB na Bahia e Sergipe definem prioridades para a campanha 2026

O debate qualificado e a construção coletiva deram o tom do Encontro dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) na Bahia e Sergipe, realizado neste sábado (18/4), por videoconferência. O evento contou com a participação de 80 trabalhadores, que debateram conjuntura política e econômica, Norma Regulamentadora nº1 (NR1), além de aprovarem as propostas específicas para a campanha salarial 2026, que serão levadas para o 31º Congresso Nacional do BNB, que acontecerá nos dias 15 e 16 de maio, em Fortaleza.
Plano de Cargo e Remunerações (PCR), reclassificação de agências, saúde e condições de trabalho foram as prioridades apontadas pelos participantes. Outra reivindicação importante é a distribuição da participação nos lucros e resultados (PLR) de forma linear entre todos os funcionários do BNB, acabando assim com o teto atual, que prejudica quem ganha menos.
A pauta inclui ainda propostas sugeridas por bancários e bancárias que atuam nas agências. Isso só foi possível pela forma de mobilização para o Encontro, construído coletivamente e coordenado pelos integrantes da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB), Waldenir Britto, diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase); Jeane Marques, diretora do Sindicato da Bahia, e João Welligton, diretor do Sindicato de Sergipe.

“O Encontro foi bastante produtivo. Conseguimos reunir uma boa representação dos bancários e bancárias do BNB dos estados da Bahia e Sergipe. Tivemos uma boa participação, um bom nível de debate, com boas propostas, com um bom processo de discussão, que começou com o debate das propostas em grupos de funcionários e culminou no encontro de hoje. Eu acho que a categoria vai sair bem organizada para o Congresso e a gente vai conseguir fazer uma boa mobilização. Foram aprovadas propostas relevantes e eu acredito a gente vai conseguir aprovar a maioria, se não a totalidade, lá no Congresso nos dias 15 e 16 de maio”, avaliou Waldenir Brito.
Conjuntura e saúde
A campanha salarial foi o tema principal, mas o Encontro abriu espaço também para o debate de outros temas relevantes, como a conjuntura política e econômica e a NR1.

A exposição sobre conjuntura coube ao economista e mestrando em Ciência Política, Caio Botelho, que mostrou como as políticas adotadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para tentar manter a hegemonia do país, podem impactar na qualidade de vida dos brasileiros, seja com aumento da inflação ou com o enfraquecimento do governo Lula, para abrir espaço para a vitória de candidatos de direita nas eleições de outubro.
Caio falou também dos impactos que a mudança de governo poderiam ter para a categoria bancária, em especial para os funcionários dos bancos públicos como o BNB, que correriam risco de desmonte e até de privatização. Por isso, mesmo, ele ressaltou a importância da mobilização da categoria para a reeleição do presidente Lula e a eleição de parlamentares comprometidos com os interesses dos trabalhadores.

Logo em seguida, a psicóloga Rosemeire Correia falou sobre a NR1 e o direito a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Ela ressaltou a importância da atualização da norma, que deixará de ter caráter educativo e passará a ter caráter punitivo a partir do dia 25 de maio.
Para Rosimeire, a implementação do caráter punitivo do NR1 é essencial para que os sindicatos possam cobrar das empresas a melhoria no ambiente de trabalho, para evitar o adoecimento dos funcionários. Principalmente o adoecimento mental, que foi responsável por 70% dos afastamentos do trabalho em 2024, segundo dados do Ministério do Trabalho.

A presidente da Feebbase, Andréia Sabino, agradeceu aos palestrantes e ressaltou a importância da NR1 e do debate sobre a saúde psicológica, que é um direito do trabalhador. “Falar sobre isso é muito importante. Nós tivemos uma negociação com a Fenaban essa semana, para tratar sobre o avanço das novas tecnologias. Lembramos sobre o que aconteceu no Itaú, onde mais de mil bancários foram demitidos, depois de serem monitorados sem conhecimento no teletrabalho. Então, se a gente já tinha um ambiente extremamente adoecedor e hostil, com o avanço dessas novas tecnologias, isso piora muito a saúde do trabalhador. Por isso mesmo, temos que garantir a implementação de medidas para melhorar a situação”.
O Encontro contou com a participação de bancários de diversas bases sindicais, além dos presidentes dos sindicatos de Irecê, Carlos Alberto Bezerra; de Jequié, Fabiano Miranda; de Juazeiro, Eleandro Damas; de Jacobina, Reuélio Marques; da Bahia, Elder Perez, e do Oeste da Bahia, Aderbal Batista.

