Na mesa, Caixa propõe retirada de direitos

Na rodada de negociação com a Caixa desta quarta-feira (17/8), a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) cobrou a garantia de todos os direitos para os bancários que estão no presencial e no teletrabalho. Para surpresa geral, os representantes da empresa não sustentaram as questões debatidas nas outras oito reuniões e ainda propuseram a retirada de alguns direitos dos empregados. Com isso, a proposta foi recusada pela CEE.
O banco propôs retirar avanços obtidos nas mesas específicas de negociações, entre eles mudar o parcelamento do adiantamento de férias de 10 vezes para três vezes; retirar o intervalo de descanso 10/50, ou seja, não mais prevê a pausa de 10 min a cada 50 min trabalhados para caixa e digitador; e sobre o vale refeição, que os empregados recebem para se alimentar relativo ao custo diário, a Caixa está propondo mensalizar o valor e em caso de licença médica, suspender o pagamento.
Para os representantes dos trabalhadores as propostas colocadas seguem na linha do governo Bolsonaro, de retrocesso desenfreado. Segundo eles, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é patamar mínimo e não teto, ou seja, acima disso cada banco pode vir a negociar com os trabalhadores vários pontos específicos.
Segundo o secretário geral da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb-BA/SE), Emanoel Souza, a expectativa que vinha sendo criada na mesa de negociação era de avanços, com acréscimos de várias cláusulas, entre elas, medidas efetivas contra o assédio moral na empresa, grupos de trabalho sobre os PCD’s, grupo de trabalho sobre os profissionais de TI, dentre outros. “É surpreendente que a Caixa não sustente o que falou nas negociações, mas ainda tente retirar direitos conquistados arduamente pela categoria em vários anos de história de lutas. Neste sentido estamos caminhando para o impasse e será preciso uma grande mobilização da categoria”, criticou Emanuel.
Outros temas
Na reunião, a CEE cobrou o funcionamento do Grupo de Trabalho (GT) Tripartite para debater assuntos relacionados à Funcef, entre eles sobre o contencioso e um GT para tratar do Caixa Minuto, no qual os dirigentes cobraram o fim da designação por minuto nas funções de caixa, tesoureiro e avaliador. Em relação à questão de assédio moral e sexual, os representantes dos trabalhadores cobraram um espaço específico para tratar do tema que atinge hoje a imagem da empresa e é a causa de grande parte do adoecimento da categoria. A Caixa respondeu que este tema será tratado na mesa com a Fenaban.

