O momento é de luta por direitos no BB

O Banco do Brasil sofre com a ameaça de privatização do governo Bolsonaro, mas os funcionários da empresa estão preparados para lutar pela manutenção do caráter público da entidade, além de garantir os direitos duramente conquistados.
Não é a primeira vez que o BB passa por ameaça de privatização. Os governos do presidente Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998 e 1999 a 2002) adotou uma política de desmonte e enfraquecimento do papel público do BB, preparando o caminho para a privatização total do banco, o que foi impedido pelo funcionalismo que resistiu e denunciou as medidas à sociedade.
Foram anos de muita luta pela manutenção de direitos, nos quais os funcionários do BB ficaram sem reajuste salarial por sete anos seguidos (de 1996 a 2002). Além disso, o governo abriu vários planos de demissões incentivadas, reduziu o Plano de Cargos e Salários, retirou a licença prêmio, abono, anuênio, dentre outros direitos, principalmente dos contratados após 1998.
A política de reajuste zero só foi rompida com o início do governo Lula, em 2003, com a retomada da recomposição do salário dos empregados e a conquista de mais direitos. Mas, isso só aconteceu com muita luta das entidades representativas e do funcionalismo do BB, com a realização de manifestações e greves todos os anos.

Entre 2003 e 2014 os bancários conquistaram aumento real de salários em quase todos os anos. No BB, foi garantido também o ponto eletrônico para comissionados; redução do banco de horas; licença para acompanhar enfermos na família; comitê paritário de relações da saúde; 13ª cesta alimentação; auxílio funeral; complementação de auxílio doença previdenciário e acidentário; isenção de tarifas e anuidades para funcionários e adiantamento de férias.
São conquistas dos bancários a partir de 2008 também a contribuição de 4,5% à CASSI por parte do BB; combate ao assédio moral com comitês de ética; a ampliação da licença maternidade para 180 dias; inclusão de companheiros homoafetivos no plano de saúde; conquista da carreira de mérito; vantagem de caráter pessoal (VCP) de 12 meses para os retornados de licença médica; contratação de mais empregados, dentre outros.
Muitas destas conquistas estão sob ameaça devido aos ataques à legislação trabalhista dos governos Temer e Bolsonaro, que retomaram os projetos de desmonte e privatização dos bancos públicos. O BB está na mira deste projeto e por isso, a luta por direitos se faz ainda mais necessária neste momento.
“O momento é de unidade dos trabalhadores para impedir a privatização do banco e retrocessos nos direitos que foram duramente conquistados através das lutas de seus funcionários”, conclama o diretor Jurídico do Sindicato dos Bancários da Bahia, Fábio Lêdo, que integra a Comissão Executiva dos Empregados do BB e participa diretamente das negociações com a direção do banco.

