“Temos que celebrar as conquistas 2021 e nos preparar para os desafios de 2022”, afirma presidente da Feebbase

A continuidade da pandemia de covid-19, não foi a única notícia ruim para os bancários em 2021. O ano foi marcado também pelo fechamento de agências e a extinção de vagas de trabalho nos bancos. Os casos de assédio moral, adoecimento e suicídios também cresceram na categoria, que teve que travar ainda, uma luta constante em defesa da jornada de trabalho e dos bancos públicos.
Os bancários também puderam celebrar vitórias importantes este ano, como a inclusão no Plano Nacional de Imunização (PNI) como público prioritário para vacinação contra covid-19 e o reajuste com aumento real de salários, feito que poucas categorias conseguiram em 2021.
Nesta entrevista, o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), Hermelino Neto, faz uma retrospectiva das lutas da categoria em 2021 e aponta os desafios para 2022.
Como você avalia o ano de 2021 para o movimento sindical bancário?
Hermelino Neto - Foi um ano difícil, com fechamento de agências, demissões, cobrança de metas, assédio moral, aprofundamento do adoecimento físico e mental, precarização e esvaziamento dos postos de atendimento. Perdemos muitos colegas para a Covid e por suicídio.
Do ponto de vista econômico, mesmo nesse cenário de terra arrasada, conseguimos a manutenção de todas as conquistas e ganho real. Poucas categorias tiveram êxito nos seus acordos. O acordo de dois anos, assinado em 20202, mais uma vez, se mostrou um acerto.
Quais as principais ações da Feebbase neste período?
Hermelino Neto - Nós realizamos dezenas de plenárias, assembleias, reuniões e manifestações em defesa da vacinação e para debater temas de interesse da categoria. Realizamos uma grande Conferência Interestadual, o Encontro das Bancárias, um curso sobre redes sociais e um de formação sindical para novas lideranças, que aconteceu de forma híbrida, marcando a retomada dos eventos presencias da Federação. O primeiro evento totalmente presencial, foi a reunião do Conselho de Presidentes, realizada em Ilhéus.
Participamos também das manifestações nas agências, organizamos a categoria para o enfrentamento às políticas do governo Bolsonaro, além de estimularmos os sindicatos a realizarem campanhas, denunciando os desmandos dos banqueiros à sociedade.
Fizemos também a defesa dos bancos públicos, que têm sido sucateados pelo governo, com o desmonte e venda das partes mais rentáveis, como vem acontecendo na Caixa Econômica.
Quais as principais ações para garantir a saúde da categoria durante a pandemia?
Hermelino Neto - Em 2020, foram muitos desafios, entretanto, com habilidade enfrentamos a crise sanitária provocada pelo governo federal e criamos espaços de debates com a Fenaban. Esse ano, aprimoramos nossas ações, os departamentos de Saúde dos sindicatos não pararam nem um instante, orientando e fazendo a justa defesa da saúde dos trabalhadores.
A luta da Feebbase foi fundamental na inclusão da categoria no Plano Nacional de Imunização (PNI) e para vacina chegar no braço do bancário. A Federação e os sindicatos realizaram diversas atividades, desde protestos até plenárias e assembleias, que chegaram até a aprovar uma greve para garantir a vacinação da categoria. A paralisação só foi cancelada, após a conquista de audiências com representantes do governo federal e com o presidente da Câmara dos deputados, Artur Lira, que resultou na inclusão da categoria no PNI.
Foram realizadas também reuniões com o secretário de Saúde da Bahia, o Ministério Público Federal, além de parlamentares e prefeitos de diversas cidades da Bahia e Sergipe.
Desde o seu início, o governo Bolsonaro vem tentado mexer nos direitos da categoria, principalmente, na jornada de trabalho. Quais medidas o movimento sindical tem tomado para evitar que isso aconteça?
Hermelino Neto - Este governo tem adotado um pacote de maldade, no sentido de atingir os direitos dos bancários. Tem um foco principal na jornada de trabalho da categoria, no direito de trabalhar de segunda a sexta-feira, e aparece uma nova tentativa de mudar isso a cada seis meses. Nós estamos enfrentando e resistindo.
Neste momento está em debate na Câmara Federal o Projeto de Lei 1043/19, que autoriza a abertura dos bancos aos sábados e domingos. Estamos atentos e conseguimos articular com parlamentares da oposição a realização de uma audiência pública para debater o PL. O movimento sindical e os bancários estão mobilizados para participar da audiência e barrar mais esta iniciativa de parlamentares com vínculo com o governo e com o grande capital.
Existe também uma outra proposta do governo de fazer uma nova reforma trabalhista, para precarizar ainda mais os direitos e enfraquecer as organizações sindicais. Estes são alguns dos projetos que estão na pauta deste governo fascista, que odeia trabalhadores.
Quais os principais desafios para 2022?
Hermelino Neto - Derrotar as tentativas de precarizar as relações de trabalho e de retirar direitos da categoria.
Existe ainda um desafio maior, que é eleger um presidente vinculado às questões dos trabalhadores. Derrotar o governo dos patrões, das elites e eleger um governo que tenha vínculo com as nossas questões. Temos também que eleger deputados federais e estaduais, senadores e governadores comprometidos com os interesses dos trabalhadores. O ano que vem será de muitos desafios. A classe trabalhadora tem que está unida e envolver toda a sociedade nas mobilizações e debates. Os trabalhadores terão este papel e temos que empenhar o nosso tempo para fazer este enfrentamento.
O que esperar da campanha salarial 2022, que vai renovar a CCT da categoria?
Hermelino Neto - Não será fácil. Em 2020, a Fenaban apresentou uma pauta com a retirada de vários direitos, a exemplo do vale refeição e alimentação, do abono assiduidade e da diminuição da PLR. Foi uma pauta muito regressiva. Em 2022 não será diferente. Eles vão tentar novamente, mas, nós não vamos aceitar a retirada de direitos.
Para a campanha do ano que vem, nós devemos ter esperanças de um cenário de mudanças políticas no país, pois este cenário de mudanças ajudará a nossa campanha. Um cenário político favorável aos trabalhadores, fortalece a nossa campanha.
Esperamos que possamos agregar mais direitos à CCT da categoria. Queremos construir uma minuta de reivindicações com a ajuda dos delegados sindicais e dos trabalhadores da base, para que ela represente os anseios da categoria.

