Fechamento de agências e sobrecarga no centro da negociação com o Santander

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) se reuniu com a direção do Santander nesta quarta-feira (13/5), em São Paulo, para discutir os impactos do fechamentos de agências e o aumento de sobrecarga dos bancários, que trabalham nas unidades remanescentes.
Logo na abertura, os representantes dos trabalhadores afirmaram que a rede física já opera no limite e não comporta novos cortes. Relatos apresentados indicam que regiões antes atendidas por várias unidades passaram a contar com apenas uma agência, concentrando milhares de clientes, ampliando filas e elevando a pressão sobre os empregados.
A situação prejudica, principalmente os clientes mais vulneráveis, como idosos e pessoas mais pobres, além de impactar diretamente na saúde dos funcionários, que precisam atender um número cada vez maior de pessoas em pouco tempo.
Fechamentos avançam
As demonstrações financeiras do próprio banco indicam o encerramento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025 (-26%). No primeiro trimestre de 2026, foram fechadas 73 unidades. Desde 2019, o Santander encerrou 2018 postos de atendimento, sendo 1460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs, segundo dados do banco.
Na avaliação da COE, a estratégia aprofunda a exclusão financeira em regiões onde o acesso digital ainda é limitado e intensifica a pressão psicológica sobre os bancários. Diante disso, cobrou a revisão da política de fechamento de unidades, a recomposição do quadro funcional e melhores condições de atendimento à população.
Metas, NPS e Conduta Certa
O modelo de gestão também foi alvo de críticas. Dirigentes sindicais cobraram transparência sobre o Programa Conduta Certa. O banco informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20 de maio.
Segundo a representação dos empregados, mudanças vêm sendo implementadas sem diálogo prévio, deixando trabalhadores expostos a avaliações consideradas punitivas.
O uso do NPS- indicador utilizado pelo banco para medir a satisfação do cliente- também foi questionado, já que o indicador pode impactar diretamente a remuneração variável. Os sindicatos reivindicaram que o índice não seja utilizado para esse fim.
Contrato para “hipersuficientes”
Outro ponto discutido foi o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes”, com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior. A COE insistiu na anulação dos acordos, que contrariam o que foi pactuado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, que prevê a não utilização da lei que permite acordos individuais.
O banco se comprometeu a suspender a aplicação desses acordos até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.
Para o diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, José Antônio dos Santos, os pontos discutidos na reunião com a direção do banco são de extrema importância para a categoria bancária. “E, sendo assim, se faz necessário que o Santander tenha responsabilidade com seus empregados, com a sua clientela e com a população, porque o fechamento de agências, essa reestruturação que o banco vem implementando, a questão dos “hipersuficientes”, entre outras coisas, não condizem com o que já foi acordado, inclusive, em mesa de discussão da Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários. Portanto, a nossa posição enquanto Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e manter-se firme na luta, com afinco e responsabilidade, para que o banco venha atender os nossos pleitos, que são pleitos justos”, ressaltou o representante da Federação na COE Santander.

