Diante de ameaça, bancários do HSBC vão ao Cade em Brasília
Os bancários do HSBC estiveram em Brasília na terça-feira (21) para dar continuidade à luta em defesa do emprego, ameaçado desde que surgiram rumores na imprensa de que o banco possa sair do Brasil. Desta vez, os dirigentes sindicais participaram de duas reuniões. Na primeira, realizada no Conselho Administrativo de Defesa Economia (Cade), protocolaram denúncia de concentração da atividade econômica, em audiência com o superintendente geral, Eduardo Frade Rodrigues.
Rodrigues revelou que há restrições no fornecimento de informação, já que poderá ser chamado para avaliar um futuro processo entre instituições financeiras. No entanto, se colocou à disposição para ouvir os trabalhadores.
Ele informou ainda outros pontos importantes: que as decisões sobre o sistema financeiro são realizadas em conjunto com o Banco Central; os trabalhadores podem se colocar como terceiro interessado no processo; o Cade pode, caso não seja acolhida sua orientação, aplicar multas e, também, dar publicidade à possível transação, respeitando os sigilos legais.
Relatório BC - Mais tarde, a comitiva se reuniu com o diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central, Luiz Edson Feltrim. O encontro contou ainda com o apoio dos deputados EnioVerri (PT-PR) e Erika Kokay. Verri, que solicitou a audiência, expôs os problemas que a concentração bancária pode gerar no futuro.
Para Feltrim, no entanto, o processo de concentração não é ruim por si só, mas seus efeitos devem ser avaliados através dos ganhos de sinergia que podem ocorrer e devem ser compartilhado com os usuários.
Já Erika Kokay disse que o BC pode mostrar sua preocupação com o emprego, para sensibilizar o processo em prol da não demissão em massa. O diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC instruiu os dirigentes sindicais a conversarem -, tanto com o HSBC, como com os possíveis compradores -, para apontar as preocupações e buscar soluções em conjunto. O executivo também se colocou à disposição para participar da audiência pública que está sendo encaminhada pela parlamentar Erika Kokay.
Cristiane Zacarias, coordenadora do COE HSBC, reafirma o alerta ao cenário apontado pelas mídias. "Embora não tenhamos fatos reais, temos elementos suficientes para acreditar que o cenário vai mudar. Por isso, queremos que o BC tenha um olhar para as questões sociais e para os reflexos no mercado de uma demissão em massa. Queremos participar no processo de forma afirmativa, não influenciando nas negociações, mas na defesa do emprego de fato", avaliou.
Fonte: Contraf

