Elder Fontes: aumento de 61% no índice de assalto a bancos na Bahia
O quadro de assaltos a bancos na Bahia sofreu mais um aumento. Os últimos registros mostram que, até junho, houve uma elevação de 61% dos casos em relação ao mesmo período de 2009.
Os números refletem a total falta de compromisso das instituições financeiras
com a população e os bancários que vêem as leis federais de segurança bancária
serem descumpridas pelos banqueiros.
Para falar sobre a ação do movimento
sindical e as principais irregularidades das agências na Bahia, O Piquete
Bancário entrevistou o dirigente sindical Elder Fontes, que é bancário em
Salvador.
O número de assaltos a bancos no estado aumentou
61% em relação a 2009. Qual a análise em nível
nacional?
Hoje, em relação ao cenário nacional a Bahia
responde por 10% das ocorrências de todo o país. Dados da Febraban apontam que
foram 420 ocorrências registradas no Brasil, sendo 44 dessas na Bahia. Essa
situação reflete um aumento da violência contra os bancos e conseqüentemente
trabalhadores e usuários. Em 2009 foram cerca de 40 ocorrências. Até junho de
2010, houve mais de 30. Ou seja, em seis meses já temos mais da metade das
ocorrências que aconteceram durante todo o ano de 2009.
Quais
as possíveis causas desse aumento de assaltos?
Um dos
fatores é a migração dos assaltos a bancos para o interior do estado, com a
sofisticação e as novas estratégias que as quadrilhas vêm implementando. Em
1999, entrou em vigor a lei das portas de segurança aqui em Salvador e ao
fazermos o comparativo observamos que houve uma redução significativa no número
de ocorrências na capital. Isso não se reflete no interior do estado. Outros
fatores que contribuem é a fragilidade no sistema de segurança das agências. No
interior, os investimentos são menores que os da capital. As agências contam com
um efetivo de três a quatro profissionais de plantão e apenas um vigilante. Na
maioria das vezes, os equipamentos de filmagem e detectores de metal também não
funcionam. Apuramos que os municípios com até 50 mil habitantes são os
preferenciais dessas quadrilhas, porque elas podem ter um controle maior da
instituição financeira. Também sabemos que o efetivo reduzido por parte da
polícia não tem como se contrapor de maneira eficiente às ações dos bandidos que
possuem armamento pesado.
Há uma fragilidade do sistema
público de segurança?
Essa é uma argumentação utilizada
pelos próprios banqueiros para justificar as ocorrências. Isso não é uma verdade
absoluta porque os bancos investem muito mais em propaganda do que em segurança,
principalmente os bancos privados. Estivemos reunidos com o novo Secretário de
Segurança Pública e foi informado que haveria um aumento no efetivo de policiais
e nos equipamentos da polícia. Essa ampliação também chegaria ao interior do
estado. Isso não diminui em nada a responsabilidade dos bancos com a segurança
bancária. Existe uma lei federal desde 1983, revisada em 1994 e 1995 que
estabelece algumas normas para que os bancos possam funcionar e muitos deles não
cumprem o que está nessa legislação. Em 2009, foram multas de mais de R$ 15,5
milhões por descumprimento das normas de segurança. Cabe à Polícia Federal
promover essa vigilância e apurar as irregularidades.
Quais as
alternativas sugeridas pelo movimento sindical?
Estamos
ampliando o debate com a sociedade, pois nesse aspecto da segurança os
trabalhadores e clientes são as únicas vítimas, inclusive fatais. Apresentamos
um estudo à Polícia Federal e aos chefes de seguranças dos bancos mostrando o
panorama no estado da Bahia. Através disso, solicitamos providências como a
maior efetivação do contingente de vigilantes nas áreas mais visadas, porque a
atuação dos bandidos foi fragmentada. A expectativa é que medidas efetivas sejam
tomadas nesses locais de maior incidência. Para os casos de saidinha bancária,
defendemos que o cliente tenha privacidade na sua movimentação porque ele é
observado no interior da agência. Existem projetos de lei que prevêem o número
determinado de vigilantes para cada número de funcionários, com pelo menos dois
nas agências e um no caixa. Alguns desses projetos são frutos de debate
produzidos pelo movimento sindical.

