Acidentes de trabalho ainda debilitam milhares de brasileiros
Segundo a legislação brasileira, acidente de trabalho é todo
exercício a serviço de uma empresa que cause perturbação funcional ou
lesão corporal que resulte em morte, perda ou redução, tanto permanente
quanto temporária, da capacidade para o trabalho.
Ocorrências
que atingem trabalhadores no Brasil são mais comuns do que se imagina.
Em 2010, foram registrados pelo Ministério da Previdência Social (MPS)
701.496 acidentes de trabalho e, somente em 2011, eles causaram 2.796
mortes. Acidentes de pessoas na informalidade não são contabilizados
nesses dados, o que tornaria os índices mais altos. As ocorrências
também impactam o orçamento do governo. No ano de 2010, a Previdência
Social gastou cerca de R$17 bilhões com benefícios relacionados à
questão.
Com propósito de reduzir e amenizar fatalidades, o TST,
junto com o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e mais de
dez instituições públicas e privadas, criou o Programa Trabalho Seguro –
Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho.
Para o
secretário geral da presidência do Tribunal Superior do Trabalho
(TST), Rubens Curado, também gestor nacional do programa, é preciso
educar e informar os trabalhadores. “O problema não está nem nas
normas, o que falta mesmo é uma cultura de prevenção. As crianças têm
de serem educadas para, quando adultas, saberem se proteger”, afirma.
A
princípio, o programa visa chamar a atenção da sociedade em geral por
meio da grande mídia para, depois, chegar mais próximo dos sindicatos,
federações, chefes e trabalhadores. Dentre as ações do programa estão
campanhas de prevenção por meio de vídeos, cartilhas e visitas às
localidades mais propensas a terem acidentes.
Ainda de acordo
com Curado, quedas, choques elétricos e soterramentos como causas são,
infelizmente, comuns na construção civil – uma das áreas que mais
debilitam trabalhadores. O setor perde apenas para as atividades de
produção de alimentos e bebidas. Para tanto, ao longo do ano, os
colaboradores do programa têm promovido atos públicos de conscientização
em estádios e usinas de energia em construção. Além do lado
pedagógico, tentam, assim, facilitar parcerias locais.
Segurança do trabalho no currículo escolar
O
artigo 14 da Convenção nº 155 da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), sobre segurança e saúde dos trabalhadores, ratificada pelo
Brasil em 1992, estabelece que o assunto seja incluído em todos os
níveis de ensino. Entretanto, a determinação nunca foi cumprida no
país.
Tramita na Assembléia Legislativa de Mato Grosso um
projeto de lei, de autoria do deputado estadual Wagner Ramos (PR/MT), a
fim de acatar a convenção, porém, está parado devido a detalhes que o
tornam inconstitucional. Mesmo que seja aprovado na Assembléia, cabe à
Secretaria de Educação do Estado escolher como o tema será abordado e
para quais séries.
Para Curado, gestor nacional do programa, a
ação é nula. “Se a inclusão já está estabelecida numa convenção
internacional ratificada pelo Brasil, ela é desnecessária. O que falta é
operacionalizar a questão”, explica. “De qualquer maneira, o ideal
seria uma abordagem transversal do tema no dia a dia das pessoas, como é
feito com a prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)”,
conclui.
Em Minas Gerais, gestores regionais do programa já se
reuniram diversas vezes com a secretária de educação do estado para
discutir a inclusão do tema nos currículos escolares. A proposta foi
bem aceita, entretanto, não há previsão de quando entrará em vigor.
Fonte: Correio Braziliense

