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Assaltos a banco em cidades do interior da Bahia cresceram 46%

Em janeiro deste ano, o funcionário público do município de Amargosa( a240kmde Salvador) Naedson Borges, sobrinho de uma funcionária da Caixa Econômica Federal do local, escutou a revelação do sonho de sua tia. Ela contava que havia sonhado com uma troca de tiros e estava impressionada porque, naquele dia, faria exatamente sete anos que sua agência havia sido assaltada.

Descrente, Naedson tranquilizou a tia e saiu de casa.

Ele não esperava que o sonho fosse premonitório, mas, ao chegar ao centro da cidade, deparou-se com o desespero da população, que estava assustada depois que um grupo de bandidos, encapuzados e fortemente armados, disparou contra uma viatura policial e assaltou uma agência do Banco do Brasil.

“Eu percebi uma movimentação estranha na porta do Banco do Brasil, quando me avisaram que os bandidos estavam também assaltando uma loteria e a agência da Caixa Econômica Federal. Fiquei preocupado, porque era justamente onde minha tia, que é hipertensa, trabalha.

Quando cheguei na porta do banco, ela saia carregada. Foi terrível, mas pouco a pouco ela foi se recuperando do estado de choque”, conta.

Números Os assaltos ocorridos em Amargosa são dois dos 19 casos de roubo a banco no interior da Bahia, entre janeiro e abril deste ano, contabilizados pela Coordenação de Documentação e Estatística Policial (Cedep), vinculada à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Este número representa um aumento de 46%em relação aos 13 casos ocorridos no mesmo período do ano anterior.

Esse percentual, contudo, pode ser maior, chegando a pelomenos61%,se acrescidos os assaltos ocorridos em Mucugê e Candeal( a448e168km de Salvador, respectivamente), ocorridos em 1º e 12 de abril. Os dois crimes noticiados em ATARDE não constam dos dados oficiais do governo do Estado.

O coordenador da Cedep, Antônio Matos, enviou nota de esclarecimento onde confirma os dados oficiais: “A Coordenação de Documentação e Estatística Policial confirma que,dejaneiroaabrilde2010, há registro de 19 assaltos a bancos no interior do Estado.

Caso exista alguma diferença entre estes números e outros, obtidos em estatística diversa, deve-se, certamente, à metodologia utilizada na coleta e tratamento dos dados”.

Além dos dois roubos que não constam dos relatórios oficiais, levantamento no arquivo de A TARDE mostrou que houve ao menos mais cinco assaltos a banco no interior da Bahia: três em maio e dois em junho.

Valores Por serem maioria entre as instituições bancárias no interior da Bahia, as agências do Banco do Brasil são o principal alvo dos assaltantes.

Mas o prejuízo com a ação dos marginais não é revelado. De acordo com a assessoria de imprensa, o banco não se manifesta por questão de segurança e para a preservação do sigilo dos dados.

O coordenador do Centro de Operações Especiais (COE), da Policia Civil, Marcos Tebaldi, diz que os números apresentados estão dentro da média dos últimos anos. Ele acrescenta que assaltos a banco estão fora das demandas normais das cidades pequenas e que o policiamento local não é adequado para esse tipo de crime.

“São muitas as dificuldades operacionais no interior.A situação complica mais porque vem gente de outros estados cometer crimes aqui”, justifica Tebaldi. Ele explica que o COE faz a coleta de dados,mas o inquérito policial fica a cargo do delegado da cidade.

“Damos suporte operacional às delegacias, que não têm infraestrutura para combater esse tipo de crime”,afirma Marcos Tebaldi.

Cedep ignora caso em que ladrões usaram dinamite

AMÉLIA VIEIRA
Nos registros oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP), tabulados pela Coordenação de Documentação e Estatística Policial (Cedep), dois roubos a banco estranhamente não foram computados entre as ocorrências dos meses de janeiro a abril deste ano.

No primeiro deles, seis homens invadiram a agência do Banco do Brasil de Mucugê, município da Chapada Diamantina, a 448 km de Salvador, no dia primeiro de abril.

A quantia roubada não foi revelada.

O segundo assalto ignorado nos registros públicos, apesar de ter sido manchete de A TARDE no dia 13 de abril deste ano, tratou-se de ação bastante ousada, na qual dez homens utilizaram dinamite para invadir a agência do Banco do Brasil do município de Candeal (a 168 km de Salvador) e arrombar o cofre, do qual foi levado todo o dinheiro – quantia não revelada.

O roubo ocorreu na madrugada do dia 12 de abril e o impacto da explosão abriu um imenso buraco na parede da sala e da cozinha da casa vizinha à agência bancária.

Ninguém ficou ferido. O estabelecimento não tinha circuito interno de câmeras nem vigilante noturno.

Algumas características são comuns a todas as investidas criminosas a agências bancárias em municípios do interior: grupo de vários homens fortemente armados, com fuzis, escopetas e metralhadoras; para facilitar a fuga, utilizam pessoas, principalmente gerentes, policiais e vigilantes como reféns; os ataques ocorrem em dia de pagamento de servidores municipais ou aposentados.

Salvador Enquanto as ocorrências de roubo a banco cresceram no interior baiano nos últimos anos, em Salvador e região metropolitana houve um decréscimo.

De acordo com dados do Cedep, na capital, foram cinco casos em 2006; quatro em 2007; seis em 2008; trêsem2009; e três em 2010 (janeiro a abril).

Na Região Metropolitana de Salvador (RMS) houve apenas um roubo a banco em 2006eumem2007,nenhum em2008 e 2009. Este ano, até abril, os bandidos atacaram apenas um banco, no município de Lauro de Freitas.

Desde o ano passado não é registrado roubo a banco nas demais cidades que integram a região metropolitana: Camaçari, Candeias, DiasD´Ávila, Itaparica, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz.

Efetivo policial é insuficiente e agências estão sendo fechadas

JUSCELINO SOUZA -Vitória da Conquista
A ação de quadrilhas especializadas em assalto a banco, em janeiro deste ano, resultou no fechamento das agências do Banco do Brasil de Juissiape e Ibicuí, a 760 km e 497 km de Salvador, respectivamente.

Segundo informações do banco, a decisão é definitiva e a migração de contas e serviços para outras agências já foi feita devido à falta de segurança.

O efetivo policial total desses municípios é inferior a 20 homens, segundo dados extra oficiais, já que o comando da PM evita divulgar dados sob alegação de estratégia operacional. Com a decisão apresentada pelo banco, os usuários são obrigados a se deslocar para municípios como Iguaí e Nova Canaã para obter serviços bancários.

“Cabe à população se mobilizar, juntamente com seus representantes políticos e entidades da sociedade organizada, para cobrar das autoridades a resolução dos problemas de segurança”, declarou o presidente do Sindicato dos Bancários em Vitória da Conquista e Sudoeste da Bahia, Delson Coelho. “O fechamento das agências aumentou a demanda, gerando sobrecarga de trabalho aos bancários e precariedade no  atendimento”, frisou.

Fonte: Jornal A Tarde

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