Bancários do Bradesco sofrem com atendimento precário do Bradesco Saúde
Os funcionários do Bradesco estão enfrentando sérias dificuldades no
atendimento médico, laboratorial, hospitalar e odontológico em todo o
país. Os sindicatos têm feito várias denúncias sobre
os inúmeros problemas enfrentados pelos trabalhadores.O Sindicato dos Bancários de Camaçari, por exemplo, aponta que diversas clínicas não aceitam o convênio médico. Em relação aos dentistas, o atendimento é só para limpeza dental. A alegação é de que os valores repassados pelo Bradesco Saúde não cobrem os serviços. O resultado é que bancários e dependentes têm de pagar para fazer os procedimentos. O banco ainda demora no reembolso das despesas.
Outro problema é a limitação para fazer procedimentos em uma mesma especialidade. Se o médico solicitar ao paciente um exame do ombro e outro da coluna, o usuário tem de escolher apenas um. O outro só pode ser feito após 30 dias. Isto porque o convênio não autoriza.
A situação acontece em hospitais e clínicas de diversas cidades, inclusive Salvador, como o Hospital São Rafael. Alguns locais negam atendimento até em consultas e autorizam apenas em caso de emergência.
A mesma denúncia é feita pelo Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro. "Quando um funcionário ou algum dependente telefona para marcar uma consulta, exame ou internação, a primeira preocupação da pessoa que atende do outro lado da linha é com o tipo de plano. Se for do Grupo Bradesco, que é o caso dos funcionários do banco, o atendimento é negado", denuncia o diretor do Sindicato, Marcelo Pereira.
A expectativa dos trabalhadores é que o banco apresente soluções efetivas para todas estas questões que já foram levadas para a mesa de negociação. A situação é tão precária, avalia o dirigente da Contraf-CUT, que o plano do funcionários do Bradesco sequer é regulado pela lei 9656/98, da Agência Nacional de Saúde, que rege os planos de saúde do país, já que é anterior à lei. "A ANS não alcança nosso plano. Qualquer contrato hoje é obrigado a ter atendimento psiquiátrico, psicológico, de nutricionista ou de fonoaudiologia, enquanto os bancários estão totalmente desassistidos nestas áreas", critica Walcir.
Reivindicações
Um dos principais focos das reivindicações dos bancários é a inclusão de áreas ligadas à saúde mental, como psicologia e psiquiatria, hoje não atendidas pelo Bradesco Saúde.
A ampliação do número de médicos da rede credenciada também está em pauta, especialmente fora dos grandes centros. Os bancários de municípios pequenos, especialmente no interior dos estados, ficam sem acesso ao plano de saúde.
Os bancários reivindicam também a manutenção do plano de saúde após a aposentadoria. Hoje, o trabalhador que se aposenta perde o direito ao plano após deixar o banco. Isso gera um grande problema, uma vez que entrar em outro plano já com idade avançada é muito caro. "
OdontoPrev
Outro problema grave enfrentado pelos bancários do Bradesco é o serviço prestado pelo convênio odontológico que oferece aos funcionários. Muitos profissionais têm deixado o plano por conta do aumento da burocracia após a fusão da OdontoPrev com o Bradesco, criando a rede UNNA.
Com isso, o plano que já tinha poucos profissionais em diversas regiões passou a ser quase nulo em algumas localidades. Além disso, a tabela de pagamento do OdontoPrev é considerada baixa pelos dentistas e o resultado é um grande número de descredenciamentos, penalizando funcionários que chegaram a interromper tratamentos.

