Bancos enrolam mais uma vez e bancários planejam ir à greve
Os bancos enrolaram mais uma vez
e rejeitaram, na terceira rodada de negociações concluída nesta quinta-feira 9,
todas as reivindicações referentes à preservação do emprego apresentadas pelo
Comando Nacional dos Bancários. Repetiram o padrão de intransigência das rodadas
de negociação anteriores, quando negaram as reivindicações sobre saúde do
trabalhador e melhores condições de trabalho, como o fim das metas abusivas, o
combate ao assédio moral e mais segurança contra assaltos e sequestros.
Diante do descaso dos bancos para com as reivindicações dos trabalhadores, o Comando Nacional decidiu convocar Dia Nacional de Luta para a terça-feira (14), véspera da quarta rodada de negociação, que ocorre na quarta e quinta-feiras, 15 e 16. A pauta estará centrada na remuneração, o que inclui aumento real de salário (reajuste de 11%), melhoria na PLR, previdência complementar e valorização dos pisos.
A proposta da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe é de intensificar a mobilização, ampliar o debate com os sindicatos filiados e elaborar novo calendário de luta, inclusive com a possibilidade de greve.
Correspondentes bancários - No segundo dia da terceira rodada de discussões, nesta quinta-feira, o Comando Nacional voltou a insistir na busca de uma solução para o problema dos correspondentes bancários, que vêm sendo usados pelos bancos para reduzir custos, precarizar e segmentar o atendimento aos clientes. Mas os bancos voltaram a rejeitar a reivindicação.
Aprendizes - Em relação aos aprendizes, o Comando Nacional defendeu que os bancos parem de usar essas contratações para substituir o trabalho de bancários e que esses trabalhadores contratados em programas de aprendizagem não podem ter idade superior a 18 anos, como determina a legislação. Os bancos retrucaram que a legislação permite a contratação de aprendizes até 24 anos e se recusaram a incluir essa cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho.
Redução de juros e abono assiduidade - Os representantes dos bancários reivindicaram a redução dos juros das operações a todos os trabalhadores das instituições financeiras. Os negociadores da Fenaban também rejeitaram a demanda, alegando que cada banco tem uma prática diferente e eles não podem interferir na política de mercado das empresas do setor tabelando juros.
Os bancos se recusaram ainda a discutir a reivindicação dos bancários de conceder um abono assiduidade, na forma de cinco dias de folga por ano aos trabalhadores, considerando que o ano possui 365 ou 366 dias e os bancos só pagam 360. Essa demanda já foi conquistada em vários bancos públicos.
Comissão sobre mudanças tecnológicas - O Comando Nacional também defendeu a criação de uma comissão bipartite empresa-bancários para debater, acompanhar e apresentar propostas diante de projetos de mudança tecnológica e organizacional, reestruturação administrativa, introdução de novos equipamentos e outras situações similares. Os bancos aceitam discutir pontualmente os problemas gerados pelas inovações tecnológicas, mas disseram não ver necessidade na criação de uma comissão para essa finalidade.
Horário de atendimento e controle das filas - Os bancos também recusaram as reivindicações de ampliação do horário de expediente ao público, controle do tempo de espera nas filas e funcionamento das agências, que objetivam o aumento do número de trabalhadores nas unidades para melhorar as condições de trabalho e garantir qualidade de atendimento aos clientes.
Seminário sobre sistema financeiro - Por último, o Comando voltou a cobrar da Fenaban a realização de um seminário sobre o sistema financeiro, aberto a toda a sociedade, para discutir o papel dos bancos no desenvolvimento econômico e social do país.

