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redes sociais 2023

Brasil, Argentina e Venezuela reforçam integração regional com apoio político

Brasil, Argentina e Venezuela deram nesta segunda-feira (4) um novo sinal de unidade com uma minicúpula presidencial em Buenos Aires na qual se propôs relançar o chamado Gasoduto do Sul, incorporar na agenda regional o tema do transporte e tomar iniciativas conjuntas para brecar a alta dos preços dos alimentos. Em um rápido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos chefes de Estado da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, concordaram em voltar a se reunir no dia 6 de setembro em Pernambuco.



União reforçada na América do Sul

Lula tinha chegado no domingo à Buenos Aires, à frente de uma delegação integrada por boa parte de seu gabinete e cerca de 300 empresários.


Lula e Cristina presidiram nesta segunda (4) o maior fórum empresarial binacional convocado em mais de 20 anos de integração bilateral, no qual solicitaram aos homens de negócios que impulsionassem a integração e aprofundassem ''a aliança produtiva'' entre Argentina e Brasil.



Mais tarde, e antes que Chávez se unisse a eles, Lula e Cristina se reuniram para abordar a situação dos países emergentes perante a situação mundial e para analisar projetos de cooperação.


Alimentos



Chávez. Lula e Cristina também discutiram alternativas para tentar reduzir os preços dos alimentos, que têm pressionado a inflação nos três países e em outros do mundo.



''O preço dos alimentos preocupa e foi assunto do encontro entre os presidentes'', afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. ''Eles conversaram sobre como fazer para baixar os preços dos alimentos. Esse é um assunto importante e eles querem pensar, em conjunto, sobre o que pode ser feito''.



Amorim disse que os três líderes conversaram, por exemplo, sobre a fabricação de fertilizantes - mercadoria na qual o Brasil e outros países da região são deficitários. Os fertilizantes, sinalizou, são essenciais para a produção de alimentos e acabam pressionando este incremento nos preços.



Lula convidou os colegas da Argentina e da Venezuela para a inauguração de uma usina de energia eólica, no dia 6 de setembro, em Pernambuco. No encontro, Lula quer continuar a discussão sobre energia e a possível fabricação de fertilizantes. Cristina e Chávez estarão no Brasil para as cerimônias do dia 7 de setembro.



Investimentos



Amorim disse ainda que a visita do presidente brasileiro à Argentina serviu também para que o governo argentino destacar a ''importância'' dos investimentos brasileiros no território argentino.



''Não existe a preocupação, no governo argentino, de que haja invasão brasileira (de empresas). E eles (Lula e Cristina) conversaram ainda sobre assuntos como, TV digital, discussão que está no início, e sobre negociações internacionais''.



O chanceler brasileiro não deu detalhes sobre estas ''negociações internacionais''.



Na véspera, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que o Mercosul deverá buscar acordos no formato 4+1 - com União Européia e Estados Unidos -, depois do fracasso da Rodada de Doha para a liberalização de comércio.



Marco Aurélio fez parte da comitiva oficial que incluiu cinco ministros.



No discurso que realizou nesta segunda-feira, no seminário com empresários brasileiros e argentinos, Lula sinalizou que não tinha desistido da Rodada de Doha. ''Acho que ainda existe uma oportunidade porque (sem Doha) talvez Brasil e Argentina não sintam nada. Mas os países mais pobres sim. Eles teriam a oportunidade de ampliar sua produção de alimentos para exportar aos países ricos'', disse.



Embraer



Quando perguntado se a companhia aérea Aerolíneas Argentinas tinha oficializado seu interesse em contar com ''ajuda'' da Embraer, Amorim respondeu: ''Sei que há o interesse de cooperaçao da Embraer e o interesse da Aerolíneas de adquirir um número expressivo (mas ele não disse quanto) de aviões da fábrica brasileira. A Embraer é uma empresa privada e que opera por seus meios. Mas que eu saiba há interesse.''



Sobre isso, a ministra argentina de Defesa, Nilda Garré, confirmou que uma delegação da Embraer visitará a Argentina na próxima semana para avaliar a possibilidade de produzir no país equipamento para um avião de transporte.



A embaixadora argentina em Caracas, Alicia Castro, ressaltou a importância de que o tema do transporte tenha voltado a ingressar na agenda regional.



''A possibilidade de que as Aerolíneas Argentinas (controlada pelo grupo espanhol Marsans) fique em mãos do Estado daria a possibilidade de fazer uma aliança com a linha aérea estatal venezuelana (Conviasa) e com uma empresa aérea (...) designada do Brasil, de modo a ter nossas Aerolíneas del Sur'', disse à imprensa.



Chávez



Originalmente, a agenda de Lula não incluía a reunião que teve, ao mesmo tempo, com Cristina e Chávez.



No fim de semana, assessores do governo brasileiro negaram o encontro, enquanto na Argentina e na Venezuela confirmavam a reunião.



Para o presidente venezuelano, o encontro desta segunda pode ser qualificado de ''muito positivo". ''É o momento de retomar o tema do Gasoduto do Sul, que une Caracas à Buenos Aires, que tinha sido abandonado durante um tempo'', ressaltou o presidente venezuelano em declarações à agência estatal argentina ''Télam''.




Chávez falou também da necessidade ''de ter conteúdo, com projetos tangíveis'' à integração entre os três países.




''Concordamos sobre a necessidade de criar empresas com capital dos três países em setores como o petroquímico e o energético'', defendeu.




Segundo Chávez, os três governantes concordaram sobre a necessidade de criar ''empresas (...) multiestatais, em gás, petroquímica, e outros setores'', um tema que será aprofundado na reunião de Pernambuco.




No encontro também foi mencionada a possibilidade de criar uma ferrovia do sul, que ligue Buenos Aires à Caracas.




Apoio político



Chávez presidirá amanhã um encontro com cerca de 200 empresários argentinos na sede da Chancelaria e, posteriormente, com Cristina, viajará para Bolívia para se reunir com o presidente boliviano, Evo Morales, na cidade de Tarija. O encontro reforçará o apoio político dos governos progressistas da América do Sul ao presidente da Bolívia, que terá seu mandato colocado à prova, junto com os dos governadores dos nove departamentos (estados) bolivianos, no próximo dia 10, num referendo revogatório.


O intercâmbio de apoio político entre os presidentes têm sido uma constante na região. A própria visita do presidente Lula à Argentina teve este caráter.


Esta foi a primeira viagem de Lula ao país vizinho depois que Cristina enfrentou uma crise política provocada pelos setores oligárquicos que controlam os agronegócios do país.


A presença de Chávez também foi importante neste sentido. Junto com Cristina Kirchner, Chávez participou de um ato popular nos arredores de Buenos Aires, onde ambos reiteraram seu discurso contra o neoliberalismo e a desigualdade social.


"Cristina, estamos contigo", disse Chávez em vários trechos de seu discurso para reafirmar o apoio à presidente argentina, que pouco depois de completar oito meses de Governo enfrentou uma forte crise política depois de uma prolongado conflito com o setor agropecuário.


O presidente venezuelano lembrou que, há 15 anos, a Argentina, "como quase toda América Latina", "dormia por causa do Consenso de Washington".


"Hoje, que emoção quando vejo de pé a grande pátria argentina. Viva a Argentina! Viva a América do Sul! Nossa pátria renasceu dos mortos, como Lázaro perante a voz de Cristo. O Cristo coletivo é o nosso povo, sobre tudo os pobres de nossas pátrias", disse Chávez.


O chefe de Estado venezuelano afirmou que "o mundo de hoje vive uma crise perfeita: econômica, financeira, alimentícia, ecológica, energética, moral e de idéias".


Chávez elogiou também o Governo de Néstor Kirchner (2003-2007), presente no ato, e chamou Cristina de uma mulher "digna e grandiosa enfrentando as investidas da oligarquia".


Já a presidente argentina considerou que hoje as "batalhas" a serem enfrentadas são "contra a pobreza e a desigualdade".


Cristina defendeu o papel do Estado para "dar igualdade e Justiça à sociedade" e redistribuir os lucros, um discurso que já tinha sido empregado em reiteradas oportunidades durante o conflito com o campo para justificar a necessidade de aumentar os impostos às exportações de grãos.


O ato serviu de marco para anunciar o fortalecimento de um plano alimentício na província de Buenos Aires e inaugurar um bairro de imóveis populares, projeto liderado pela organização humanitária Mães da Praça de Maio.


Com informações da BBC Brasil e Efe

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