Centrais debatem perícias médicas em audiência no Ministério da Previdência
Na última terça-feira (04), as centrais sindicais CTB, NCST e Força Sindical particparam da segunda audiência sobre a humanização das perícias médicas do INSS, no Ministério da Previdência, em Brasília.
Participarma da audiência o secretário Executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, o presidente do INSS, Mauro Hauschild e Filomena Gomes, diretora de Saúde do Trabalhador do INSS, Paulo Vinícius da Silva secretário da Jventude Trabalhadora da CTB Nacional, Luis Antônio Festino e Celso Pimenta (NCST), Arnaldo Gonçalves e Luís Oliveira (FS) e pelo DIESAT, seu presidente Gilberto Almazan e Pérsio Dutra.
O presidente do INSS relatou que nos próximos dias será lançado
edital para a contratação de uma pós-graduação específica para 800
médicos peritos. Como não é possível - devido à oposição do Ministério
Público – fazer a contratação de peritos a partir de edital que já
estabeleça a especialização como critério de seleção no concurso, a
existência de cursos de pós-graduação que formem os peritos nas
especialidades necessárias ao seu trabalho no INSS.
Também está
previsto a implantação de um curso de curta duração voltado à
apresentação do INSS, das atribuições dos peritos enquanto servidores
públicos e de sua responsabilidade ante à sociedade. Um curso dessa
natureza quando do ingresso no serviço público será fundamental para
avançar para uma capacitação que qualifique, padronize e torne o
atendimento mais humano. Foi aventada a possibilidade de a sociedade
também participar, representando os usuários, para falar aos novos
profissionais. Também foi informado que está em curso a normalização dos
exames médicos periódicos para todos os funcionários, o que trará
impactos positivos para o atendimento.
Apesar das restrições que o
governo adotou sob a justificativa da crise internacional, foi
informado que a Presidente Dilma garantiu a realização de concurso
público para 500 peritos e 2000 servidores do INSS com lançamento
previsto para este ano. A medida é muito positiva, mas as centrais
sindicais tem a opinião da necessidade de avançar nos concursos
públicos, calculando que a carência de médicos peritos é o dobro do que
foi liberado e que seriam necessários mais de 10 mil novos servidores
para o INSS.
As centrais sindicais criticaram duramente e
reafirmaram o problema da não aceitação por parte de médicos peritos de
exames e laudos, e em especial a carta de comunicado de acidente de
trabalho (CAT) dos sindicatos em vários postos do INSS. O Secretário
Galba e o Presidente do INSS se mostraram surpresos e contrários a
qualquer tipo de rejeição da CAT, pois estaria fora dos procedimentos do
INSS e se comprometeram a receber e apurar todos os casos que as
entidades sindicais apresentem. As pessoas que tiverem negada a recepção
da CAT nas agências do INSS devem denunciar o fato, seja por formulário
que está disponível nas agências, seja pelo telefone, através do número
135.
Foi discutida a possibilidade de avançar numa apresentação
mais didática sobre os direitos e procedimentos dos segurado do INSS
para ampla divulgação, em que se propôs uma parceria com a sociedade
civil, com destaque para as centrais, sindicais, DIESAT e departamentos
de saúde do trabalhador dos sindicatos. Tal campanha visaria a
esclarecer sobre os procedimentos, os canais e o formato do atendimento e
os direitos dos segurados.
O INSS também avaliou que há
dificuldades de comunicação interna que precisam ser sanadas, para que
as melhorias e a normatização do atendimento sejam efetivas em toda a
rede, e que estão em curso medidas para que atos normativos e as
informações percorram toda a rede do INSS.
O novo modelo de
perícia não admitirá atestado médico de papel, só o eletrônico, com
certificação digital e pelo portal do INSS. Certificações digitais serão
entregues a partir de janeiro para todos os médicos, o que fortalecerá a
legitimidade dos atestados médicos.
Foi informado também que
está em curso a parametrização dos tempos de afastamento para cada CID
(Classificação Internacional de Doenças), em consulta com a comunidade
médica, universidades e a sociedade de cada uma das especialidades
médicas. Foi observado que ainda que não seja cartesiana a duração por
conta de cada doença, é importante ter parâmetros mínimos que impeçam
decisões arbitrárias que prejudiquem os segurados.
Foi
questionado pela NCST e a CTB o recente anúncio do INSS de que a
ocorrência de acidentes de trânsito com responsabilização dos motoristas
que os causaram - para fins de indenização - deve ter a diferenciação
entre acidentes individuais e da natureza profissional do problema, pois
a sobrecarga de trabalho dos motoristas não deve ser-lhes imputada,
eles precisam é de proteção, e não de punição. O INSS concordou e disse
que quanto aos motoristas profissionais, o compromisso é de que não
caberá ação regressiva individual, mas ação regressiva de acidente de
trabalho e que será diferenciado o tratamento.
As centrais
cobraram uma resposta por escrito ao documento por elas presentado e que
o INSS fizesse uma proposta de informações importantes que sejam
relevantes para os segurados garantirem seus direitos no atendimento e
conhecerem os canais e procedimentos devidos, a fim de debater a
campanha conjunta.

