Chávez: "Derrubar a hegemonia ianque é questão de sobrevivência"
Após a conclusão desta longa viagem (por países da África, Oriente Médio, Ásia e Europa), são muitas as consistentes e valiosas reflexões que dela resultaram e que precisamos aprofundar. Volto à Venezuela mais convencido de que é perfeitamente possível, além de necessário, derrubar a hegemonia política, econômica, cultural e militar que o império ianque pretende impor ao mundo.
Por Hugo Chávez, em Cuba Debate
Noam
Chomsky não está errado ao propor radicalmente o grande dilema do nosso
tempo: hegemonia ou sobrevivência. Se não derrubarmos a hegemonia
imperial, o mundo irá à barbárie.
Não podemos continuar reproduzindo cegamente a lógica miserável que atenta
Contra a ordem ecológica e as condições mínimas de vida em sociedade: uma lógica que
nos arrebata o futuro e pulveriza nossas identidades. É a lógica
capitalista, imperial. Somos obrigados a transitar por outros caminhos,
sem renunciar aos particulares processos de cada povo.
Diante de tantos propósitos e ciladas que pretendem nos desviar do
caminho, temos de criar novas formas de unidade e, simultaneamente,
promover as nossas próprias estratégias de resistência. Resistência e
capacidade para poder converter o destino em consciência, para citar o
escritor francês André Malraux.
Por esta razão, a Venezuela segue e seguirá lutando - com a mesma
consciência de sempre – pela criação de um mundo multipolar. No
entanto, o mundo multipolar que queremos nós está na curva da esquina.
Esta viagem permitiu-me ver o panorama de forma mais clara.
Quero retomar o que eu disse na Universidade Russa da Amizade dos Povos, em
Moscou: hoje podemos dizer que o mundo não é mais unipolar. Porém, nem
se reproduziu uma fase bipolar, nem há indícios concretas na marcha até
a formação de quatro ou cinco grandes centros de poder mundial. É
evidente, por exemplo, que a estruturação de Nossa América como um
bloco único político não é vista no horizonte imediato: não será
realiade a curto prazo. O mesmo acontece na África, Ásia e Europa.
O que começou a se tornar visível é um corpo crescente de núcleos geopolíticos sobre o
mapa de um mundo ao qual já poderíamos chamar de Novo Mundo. Este é um
mundo multinuclear como uma transição para multipolaridade.
A aceleração dessa transição à multipolaridade dependerá da clareza,
vontade e decisão política que se desprenda dos países-núcleo.
As forças que aspiram deixar-nos na retaguarda da história nos queriam
dispersos, seguindo o mesmo jogo perverso que bem conhecemos por seus
resultados nefastos para a humanidade. No entanto, com esta larga
travessia, cruzando fronteiras de três continentes e abrindo o coração
libertário ao mundo, nós cumprimos o nosso dever sagrado para
aprofundar o pacto entre os povos com os quais temos condição comum, a
apostamos nos mesmos desafios eompartilhamos as mesmas esperanças.
Difícil vai ser silenciar este canto plural que está sendo entoado por
múltiplas nações, que frente à globalização hegemônica imposta pelo
capitalismo começaram a edificar globalizações contra-hegemônicas, e
-para colocar nos termos do pensador Português quando Boaventura de
Sousa Santos, em seu livro “Uma epistemologia do Sul” - nos propõe a
considerar um novo movimento democrático transnacional. Neste sentido,
senti no espírito compartilhado entre os povos irmãos da Líbia,
Argélia, Síria, Irã, Turquemenistão, Belarus, Rússia e Espanha que,
ante a crise global não são suficientes esforços isolados.
As afinidades que encontramos nos países irmãos contribuirão na marcha conjunta.
Além disso, novos e múltiplos acordos que temos assinados são uma prova
de que estamos prontos, com todas as forças que nos exigem a história,
a crescer mantendo sempre bússola orientada, com inabalável firmeza,
até a conquista da felicidade do nosso povo.
Imenso é o compromisso. Imenso também é o nosso empenho para não nos
deixarmos tragar pelas forças obscuras que procuram acumular riqueza
para uns poucos ao custo da miséria de milhões de seres humanos. Esta
assimetria monstruosa e desumana deve ser mudada radicalmente ou não
haverá vida para ningém em um futuro não tão distante.
II
Nesta semana que se encerra, se completaram 36 anos da tragédia
chilena. Acho que uma das lições a se retirar dela é esta: para o
imperialismo e as classes dominantes, o fundamental é preservar o
sistema capitalista. O companheiro Salvador Allende foi um
democrata exemplar e ainda assim contra ele e contra seu povo, perpetraram o mais
monstruoso dos crimes, em 11 de setembro de 1973.
Allende foi o grande precursor da mudança de época que a América do Sul
está vivendo hoje. Se equivocaram, então, os que disseram que o traçado
proposto pela Unidade Popularera errado. O socialismo não significa
colapso da democracia e do Estado de Direito, mas pelo contrário, a sua
plena realização.
Se completaram também 8 anos de um outro 11 de setembro: o de 2001. Impossível
Fonte: As linhas de Chávez, publicadas em Cuba Debate
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