Conclat marca unidade das centrais sindicais
A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora foi convocada em janeiro pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST). Das seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho, só não participará da conferência a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que tem dirigentes ligados ao DEM e ao PPS, aliados da pré-candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência da República.
As centrais que promovem o evento não declararão apoio a uma candidatura, mas se manifestarão contrárias ao retorno do PSDB e do DEM ao comando do governo federal, deverão destacar o diálogo mantido entre o Governo Lula e os movimentos sociais e apresentarão uma lista de reivindicações baseada em plenárias que realizaram em 15 estados.
“Será um documento com propostas bem objetivas para serem implementadas pelo próximo governo. A ideia é somar forças em agendas unitárias de mobilização, em grandes passeatas comuns e capazes de interferir no processo eleitoral, inclusive com a formação de comitês populares e pluripartidários para a eleição”, diz Lúcia Stumpf, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes.
O primeiro esboço do documento das centrais foi divulgado ao fim da 10ª edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Amanhã, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora deverá aprovar a 8ª versão do texto, publicada nos últimos dias nos sites das centrais com o título “Agenda da Classe Trabalhadora – Para um projeto nacional de desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho”.
No Manifesto Político que abre o documento, as centrais apontam “um enorme déficit social a ser superado”, mas reconhecem que a distribuição de renda e as condições de vida da população melhoraram em conseqüência do “crescimento econômico dos últimos anos, apoiado principalmente pelo fortalecimento do mercado interno e em políticas redistributivas”. Para as centrais, a superação do déficit social exige que o crescimento econômico “esteja orientado para a ampliação do mercado interno de consumo de massa, com a geração de emprego e a ampliação da renda do trabalho”. Ao mesmo tempo, segundo o Manifesto, “é necessário avançar nas diferentes políticas sociais, em especial nas áreas de educação, saúde, habitação, infraestrutura e de transferência de renda”.

