Cresce margem lucro dos bancos com crédito
Dados do Banco Central (BC) mostram que em pouco menos de dois anos, o spread bancário subiu 15,40 pontos percentuais. Em dezembro de 2014, os bancos captavam dinheiro a uma taxa média de 12% ao ano e emprestavam a 37,3%. Em agosto deste ano, o custo da captação mal tinha se mexido – estava em 12,3% ao ano –, mas os empréstimos chegaram a 53%. Ou seja, o spread passou de 25,3 para 40,7 pontos percentuais, uma alta de 60%.
O movimento ocorreu a despeito de Selic (a taxa básica de juros) ter subido muito menos no período de 11,75% para 14,25% ao ano.
Outro problema é que, no Brasil, o setor bancário é concentrado. Apenas cinco bancos são responsáveis por cerca de 80% das operações de crédito e, em função da baixa concorrência, a redução do spread é dificultada.
Essa situação vem se intensificando em 2016. Em meio à crise no Brasil e às dificuldades das economias também no exterior, a operação local do banco HSBC foi vendida ao Bradesco e, mais recentemente, o varejo do Citibank foi comprado pelo Itaú Unibanco. O mercado de crédito ficou ainda mais concentrado.
Em 2012, quando a Selic atingiu o menor patamar da história, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega fez pressão para que os bancos reduzissem os spreads. O movimento até ocorreu na prática, mas teve uma curta duração.

