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Dia Nacional de Lutas: entrevista com Wagner Gomes, presidente da CTB

No último dia 28 de maio, as centrais sindicais promoveram, em todo o país, o Dia Nacional de Lutas pela redução da jornada de trabalho, aprovação das Convenções 151 e 158 da OIT pelo Congresso Nacional e fim do fator previdenciário. Abaixo, o presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Wagner Gomes, em entrevista ao site da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, faz uma avaliação das atividades do dia 28 e demonstra a importância dos sindicatos na luta pelos direitos dos trabalhadores:


FEEB - Como avalia as atividades no Dia Nacional de Lutas no último dia 28?


Wagner Gomes - Foram muito positivas. Tivemos manifestações em pelo menos 19 Estados da federação e cabe destacar que os atos de protesto, em âmbito nacional, foram convocados conjuntamente por todas as centrais sindicais e em muitos locais, como em São Paulo, foram realizados de forma unitária. Demos um grande passo em defesa de reivindicações e bandeiras históricas da classe trabalhadora.


FEEB - Qual a importância para os trabalhadores da aprovação das Convenções 151 e 158 da OIT, do fim do fator previdenciário e da redução da jornada do trabalho?


WG - São reivindicações fundamentais da classe trabalhadora hoje. A Convenção 151 garante o direito dos servidores públicos à organização sindical e negociação coletiva, contemplando uma antiga demanda do setor. A Convenção 158 impede a demissão imotivada e está em conformidade com princípios estabelecidos na Constituição e ainda não regulamentados. Para o Brasil isto tem grande importância, pois temos aqui uma das mais altas taxas de rotatividade no mercado do trabalho de todo o mundo. O trabalhador é mandado para o olho da rua sem nenhum motivo, sem justa causa e isto não é normal no mundo civilizado. Na verdade, é um absurdo, um artifício usado pelo patronato para desorganizar a classe trabalhadora e reduzir salários, pois devido ao desemprego massivo ele sempre consegue contratar por salários mais baixos. Os sindicatos saem no prejuízo porque é quase impossível organizar o trabalhador que fica alguns meses num posto de trabalho e é logo demitido. A Convenção 158 acaba com este abuso. O fim do fator previdenciário repara uma grande injustiça promovida pelo governo FHC, que diminui em cerca de 40% o valor das novas aposentadorias. Já a redução da jornada de trabalho pode criar mais de 2 milhões de novos empregos no país, segundo estimativas dos técnicos do DIEESE.


FEEB - Há receptividade no Congresso Nacional para a aprovação dessas propostas?


WG - São propostas justas. Quem pode ser contra o fim das demissões imotivadas? O patronato, certamente. Estou certo que teremos muitos amigos e aliados no Congresso, mas também não tenho dúvidas de que os grandes capitalistas já estão pressionando e vão pressionar mais ainda contra a aprovação dessas medidas. Por isto, é indispensável manter a mobilização e lutar para vencer a resistência patronal. Aprendemos no cotidiano sindical que sem luta não há conquista.


FEEB - Qual o papel das entidades sindicais na luta pela conquista dessas bandeiras?


WG - Os sindicatos, como representantes da classe trabalhadora, são os principais interessados nesta luta e têm a obrigação de tomar a frente das batalhas em defesa das reivindicações em questão. A unidade das centrais é um passo importante neste sentido, mas precisamos aumentar a nossa capacidade de mobilização e intervenção na luta política.

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