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Dilma Rousseff discursa na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Começou na tarde desta terça-feira (10/5), em Brasília, a 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres - Mais direitos, Participação e Poder para as Mulheres. A abertura do evento contou com a presença de mais de três mil delegadas, deputadas e senadoras da base aliada, a secretária especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos e representantes de entidades sindicais, como a CTB, e movimentos sociais.

A cerimônia foi marcada por protestos das participantes, mulheres de todas as idades e dos 26 estados do Brasil, contra o impeachment de Dilma Rousseff. A presidenta discursou na abertura da conferência e foi ovacionada com músicas e palavras de ordem em defesa de seu mandato e da Democracia.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Ivânia Pereira, afirma que a conferência é emblemática neste período da história que proporcionou importantes conquistas de direitos para as mulheres.

"'A CTB está aqui depois de ter participado por todas as conferências municipais e estaduais. Acreditamos na organização das mulheres e que elas não podem viver em um ambiente com falta de democracia. Nós já percebemos no dia de hoje alguns problemas, como o que aconteceu com a delegação da Bahia, que ficou presa no aeroporto pela Polícia Federal (leia mais detalhes do caso abaixo), e a gente percebe que este já são os ares de um Brasil submetido a um golpe parlamentar, a artimanhas da direita raivosa, que não quer ver trabalhadores e trabalhadoras terem acesso a direitos, nem domésticas com carteira assinada", diz Ivânia.

Presente no evento, a presidente da CTB Amazonas, Isis Tavares, destacou o momento conturbado e os ataques machistas e misóginos que a presidenta sofreu ao longo deste processo. "Uma das nossas principais bandeiras é a defesa da democracia. Por que apenas em governos democráticos a gente consegue avançar em direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, das mulheres, da juventude, dos negros, dos indígenas e no combate à homofobia", diz ela.

Para Isis, o recado dado nesta conferência é que as mulheres, independente de o golpe se consolidar ou não, continuarão lutando para que as conquistas obtidas até hoje não sofram retrocesso. "Os golpistas podem estar preparados, por que as mulheres vão estar nas ruas e vão combater este machismo, essa misoginia com que hoje tratam nossa presidenta e que nos atinge como mulheres e como trabalhadoras". 

O secretário-geral da Organização dos Estados Latino-Americanos, o uruguaio Luis Almagro, destacou em seu pronunciamento que “a coragem de Dilma e a sua luta são exemplo para todas as mulheres do Brasil”. Durante discurso, Dilma reafirmou que resistirá, lutando, até o último momento contra o golpe, sem renunciar.

“Quando propõem a minha renúncia, querem evitar que eu continue denunciando o golpe”, disse.

Sob aplausos, a presidenta continuou: "Parte da capacidade que eu tenho de resistir é pelo fato de ser mulher e pelo compromisso de honrar as mulheres do meu País. Jamais passou a renúncia pela minha cabeça", declarou a presidenta.

Delegação detida pela PF

As 73 mulheres que integram a delegação da Bahia e que foram detidas pela Polícia Federal, acusadas de constranger dois parlamentares pró-impechment (deputados federais Tia Eron e Jutahy Magalhães Júnior) no voo para Brasília, foram recebidas com muitos aplausos na conferência.

Elas ficaram presas por uma hora "para averiguação", foram revistadas e autorizadas a sair do avião em grupos de dez. As conferencistas repudiaram a atitude da PF em deter as mulheres.

Leia abaixo um trecho do discurso de Dilma:

"“Eu carrego comigo a força das mulheres e também dos homens que se tornaram protagonistas de seus direitos, sujeitos dos seus direitos, nesses últimos 13 anos. Carrego comigo os 63 milhões de brasileiros e de brasileiras que não tinham atendimento médico e, agora, têm pelo Mais Médicos. Carrego os 9 milhões e 500 mil do Pronatec. […] Carrego em mim a força de vida dos 36 milhões de brasileiros e brasileiras que saíram da pobreza. Eu carrego comigo os 11 milhões que moram em casa própria do Minha Casa Minha Vida, em que mulheres são a maioria. Carrego também todos os mais de 4 milhões que fizeram ProUni, que fizeram Fies, que entraram na universidade. E carrego todos aqueles filhos de pedreiros que viraram doutores”.

Portal CTB

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