Dois mil tomam a Esplanada dos Ministérios contra abuso dos bancos
Nem mesmo o sol forte da tarde desta segunda-feira 28 foi capaz de
impedir que cerca de 2 mil bancários e trabalhadores de outros setores
- munidos de apitos, buzinas, faixas e balões e muita disposição de
luta - tomassem em passeata a Esplanada dos Ministérios e denunciassem
à população e ao governo federal a irresponsabilidade social dos
bancos.
Organizados em torno de um único objetivo, os trabalhadores caminharam
pacificamente cerca de uma hora e meia da Praça do Cebolão, onde
estavam concentrados desde as 14h, até o Ministério da Fazenda, puxados
por três carros de som, pela bateria da escola de samba Acadêmicos da
Asa Norte e pela insatisfação com os banqueiros, cobrando a retomada
imediata das negociações e o atendimento das reivindicações da
categoria bancária. A greve entrou hoje no quinto dia.
Na altura da rodoviária do Plano Piloto, fogos de artifício anunciavam
a chegada da marcha ao Eixo Monumental, que teve três das seis faixas
tomadas pelos manifestantes. O colorido dos cartazes e os balões negros
também chamaram a atenção. Carros buzinavam e pessoas acenavam
positivamente em sinal de apoio à luta dos bancários. “A população
também é vítima da falta de responsabilidade social dos bancos e tem
consciência disso. O apoio manifestado nas ruas durante a passeata
comprova que o nosso movimento extrapola as questões meramente
corporativas e encontra eco também na sociedade”, afirmou o presidente
do Sindicato, Rodrigo Britto.
No carro de som, o secretário-geral do Sindicato reforçou: “Estamos nas
ruas para chamar a atenção da população para o fato de que, enquanto
lucram bilhões às custas das tarifas e dos juros altos cobrados dos
clientes e usuários e da exploração dos funcionários, os bancos
demitem, achatam salários e querem retirar direitos. O que divulgam na
mídia como responsabilidade social é pura marquetagem”, denuncia ele.
Greve da unidade
O deputado federal Geraldo Magela, a deputada distrital Erika Kokay, o
secretário nacional de Organização e Política Sindical da CUT, Jacy
Afonso, a presidente da CUT/DF, Rejane Pitanga, e o presidente do PT
regional, Chico Vigilante, também participaram da marcha, engrossando o
movimento dos bancários. Em ato em frente ao Ministério da Fazenda,
onde foi encerrada a passeata, o discurso de todos verificado na
prática: a defesa da unidade dos trabalhadores e a cobrança de um
sistema financeiro socialmente mais justo.
“Os bancários reconhecem a importância da unidade de outras categorias
em torno da sua luta, e agradecem a colaboração de todos, incluindo os
parlamentares”, enfatizou Rodrigo Britto.
Documento
Paralelamente ao ato, uma comissão formada pelo presidente do
Sindicato, Rodrigo Britto, e por demais representantes do movimento
sindical, além de parlamentares, entregou uma carta a Francisco Franco,
secretário-executivo adjunto da Fazenda, cobrando do governo que
intervenha junto às direções do Banco do Brasil e da Caixa para que
dêem celeridade às negociações específicas e que elas façam valer seu
peso na mesa da Fenaban, de modo a também agilizar as discussões da
pauta geral. O ministro Guido Mantega não está em Brasília.
A passeata foi encerrada com assembleia geral da categoria que, mais
uma vez por falta de uma nova proposta dos bancos, decidiu pela
continuidade da greve. Nova assembleia nesta terça, às 17h, na Praça do
Cebolão.

