Eleições 2010: “Temos que arregaçar as mangas e partir para a disputa do voto” diz Wagner Gomes
A
disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais está a todo o
vapor, mas a luta pela manutenção do programa progressista de
desenvolvimento para Brasil frente ao projeto neoliberal que, na era
FHC, retrocedeu a democracia do país e os diálogos com os movimentos
sociais e sindicais na construção e fortalecimento dos programas sociais
é a pauta de todas as atuais discussões políticas.
A CTB, por
ser uma entidade classista que sempre esteve e está do lado do
trabalhador e da trabalhadora brasileira, defende a manutenção da
melhoria de vida da população com a continuidade do programa de governo
iniciado há oito anos com a eleição do presidente Luís Inácio Lula da
Silva.
Em entrevista ao Portal CTB, Wagner Gomes, presidente
nacional da entidade fez uma análise deste segundo turno. “Em time que
está ganhando não se mexe”, diz.
Portal CTB – Como você avalia este segundo turno das eleições presidenciais 2010?
Wagner
– Nesta hora os dois lados ficam bem definidos então as forças
progressistas, o movimento sindical, movimentos sociais, estudantes,
mulheres, entre outros estão, claramente, ao lado da candidata Dilma,
porque na opinião da CTB e do setor progressista do Brasil, a eleição da
Dilma é a garantia da melhora na vida dos trabalhadores, já que nos
últimos oito anos houve um considerável avanço social e democrático no
governo Lula e para a vida dos trabalhadores continuar melhorando só com
a vitória da candidata Dilma.
Portal CTB – As
pesquisas indicam que a população esta optando pela continuidade do
governo progressista. Isso significa que as forças reacionárias do
neoliberalismo jogaram a toalha?
Wagner – Jamais! A
disputa esta sendo um jogo pesado. A grande mídia já escolheu seu
candidato e ele se utiliza muito bem desses instrumentos, pois são
essenciais para a formação de opinião (televisão, rádio, jornal),
portanto para conseguirmos contrapor a este esquema montado para que o
neoliberalismo volte a governar o Brasil é preciso lutar contra. José
Serra é o candidato que representa um projeto que só privatiza e que não
tem como prioridade as melhoras nas condições de vida do povo, portanto
nós sindicalistas e os movimentos populares progressistas, temos que
arregaçar as mangas e partir para a disputa do voto.
Portal CTB – Esta é a orientação que a Central esta passando para as CTBs regionais?
Wagner –
Sim! Estamos passando para as CTBs estaduais que este segundo turno
está indefinido e que as forças reacionárias estão fazendo um jogo sujo
para voltar a governar o Brasil e podem fazer ainda mais para tentar
derrotar a candidata do setor progressista brasileiro. Então esta é a
nossa prioridade até o dia 31 de outubro. Vamos fazer com que este
governo que vem mudando para melhor nosso país continue.
Portal CTB - Você foi sindicalista na década de 90, como era o relacionamento dos movimentos sindicais e sociais com o governo tucano?
Wagner
- Eu fui presidente de um sindicato (metroviários de São Paulo) que
negociava ou tentava negociar direto com o governo tucano. Para se ter
uma idéia, em todo esse período (16 anos) que o PSDB governa São Paulo,
nunca nenhum representante do movimento sindical foi recebido. Em contra
partida no período do governo Lula, as centrais sindicais foram
recebidas mais de vinte vezes. E não foram conversinha de cinco minutos.
Fizemos reuniões de três a quatro horas para debater questões
essenciais para os trabalhadores visando a melhora do país.
Então
ainda temos duas semanas para evitar que o Brasil viva situações como o
paulistano vivenciou com o enfrentamento entre as polícias civis e
militares que, reivindicavam melhora nos salários ou a violência com que
os professores foram tratados. Os dois casos foram graves, mas
principalmente em relação à greve da polícia civil poderia ter
acontecido uma grande tragédia, isso demonstra a falta de controle do
estado sobre suas forças de segurança. Será que é isso que queremos para
o Brasil? Acredito que não.
Já sabíamos que o processo eleitoral
deste ano seria difícil, pois o que está em jogo é a continuidade de um
governo popular que investiu, nos últimos anos, na construção de
políticas públicas sociais de interesse da população assalariada,
diferente do que visa apenas ao estado mínimo, com a implantação de uma
política pública imperialista e voltada apenas ao bem estar da burguesia
capitalista.
Portal CTB - Na próxima
sexta-feira (15), em São Paulo, as centrais sindicais e os movimentos
sociais entregarão a candidata Dilma a Agenda da Classe Trabalhadora,
projeto votado durante a 2ª Conclat, que reuniu, em 01 de junho, cerca
de 30 mil pessoas no estádio do Pacaembu. Como será esse evento e qual a
importância desse documento para o segundo turno?
Wagner
- Estamos preparando um grande comício em apoio à candidata Dilma.
Nesse ato a candidata receberá a agenda que discute não só as questões
do dia-a-dia do trabalhador e da trabalhadora, mas também um projeto de
desenvolvimento democrático, soberano e sustentável para o país, que é
fundamental nessa reta final das eleições e para a continuidade de uma
administração popular.
Portal CTB – Porque este documento não será entregue ao candidato Serra?
Wagner
- Este documento será entregue para Dilma porque as seis centrais, que
desenvolveram este documento, deliberaram que um projeto tão grandioso
para o futuro do país só pode ser realizado por um governo progressista e
que governe para o povo, por isso não achamos que o candidato Serra
tivesse condição de realizar nossas reivindicações, pois ele é
totalmente contrário a todas as teses e ideologias que exercemos e
lutamos.
Eduardo Navarro e Fábio Ramalho - Portal CTB

