Entrevista José Souza: "Sindicato dos Bancários surgiu no bojo da revolução de 30"
O Sindicato dos Bancários de Sergipe -
SEEB/SE - nasceu no dia 14 de julho de 1934, período histórico muito importante
para o Brasil. "O Sindicato dos Bancários é um rebento da revolução de 30, que
deixou marcas em Sergipe. Em função do movimento mais geral da política, que
encerrou a chamada República Velha e deu lugar à República Nova. O Sindicato é
criado nesse ambiente de certo ascenso da luta social no país, e também deixou a
sua marca", destaca José Souza, atual presidente do Sindicato dos
Bancários.Atualmente, categoria bancária é uma das poucas que têm negociação nacional, com contratação coletiva de trabalho. "Porém, cotidianamente, o banqueiro usa de todas as maracutaias possíveis e imaginárias para quebrar essa unidade, com terceirizações, correspondentes bancários, com o objetivo de precarizar, fragilizar as condições de trabalho dos bancários", afirma José Souza, presidente do SEEB/SE.
Para José Souza, mesmo o Sindicato estando com 75 anos de vida, ainda tem muito trabalho pela frente. "O Sindicato foi um sujeito importante na luta social e política do Estado. Hoje nós temos aí os governos dito populares. Mas nosso maior desafio, neste momento, é construir uma relação com esses camaradas que estão nos governos, seja do Município, do Estado ou do Governo Federal. É uma relação bastante complexa", garante Souza. Veja a entrevista completa a seguir:
RESISTÊNCIA - Como surgiu o Sindicato dos Bancários de Sergipe?
José Souza - A data de fundação do Sindicato dos Bancários se encaixa num período histórico que o Brasil vivia no pós-revolução de 1930. É um rebento da revolução de 30, que deixou marcas em Sergipe. Aqui nós tivemos também a presença de tenentes - Maynard Gomes e outros - seguidores de Getúlio (Vargas, presidente da República), este era um dos comandantes da Revolução de 30. Em função desse movimento mais geral da política que encerrou a chamada República Velha, surge a República Nova. E o Sindicato dos Bancários é criado nesse ambiente de ascenso da luta social, e também deixou a sua marca. De lá trilha todo esse caminho. Em seguida, as classes dominantes se vêem num impasse de terem que fazer algumas concessões, mas não o fazem por serem generosas. Fazem em função de que precisariam ceder alguma coisa, sob pena de perder o controle, e aí foi criado o Ministério do Trabalho, instituído o salário mínimo, a definição da jornada de trabalho semanal... O Sindicato dos Bancários de Sergipe nasce nesse ambiente. A data de fundação do Sindicato dos Bancários se encaixa num período histórico que o Brasil vivia no pós-revolução de 1930. É um rebento da revolução de 30, que deixou marcas em Sergipe. Aqui nós tivemos também a presença de tenentes - Maynard Gomes e outros - seguidores de Getúlio (Vargas, presidente da República), este era um dos comandantes da Revolução de 30. Em função desse movimento mais geral da política que encerrou a chamada República Velha, surge a República Nova. E o Sindicato dos Bancários é criado nesse ambiente de ascenso da luta social, e também deixou a sua marca. De lá trilha todo esse caminho. Em seguida, as classes dominantes se vêem num impasse de terem que fazer algumas concessões, mas não o fazem por serem generosas. Fazem em função de que precisariam ceder alguma coisa, sob pena de perder o controle, e aí foi criado o Ministério do Trabalho, instituído o salário mínimo, a definição da jornada de trabalho semanal... O Sindicato dos Bancários de Sergipe nasce nesse ambiente.
RESISTÊNCIA - Quais as grandes conquistas dos bancários ao longo desta caminhada?
JS - A convenção coletiva nacional, a Participação nos Lucros - PLR -, a figura dos delegados sindicais nos bancos públicos, os sindicatos alteram os estatutos, renovam suas diretorias e, depois, entram numa espécie de entressafra. As pautas deixaram de ter a proposição e passaram a ter o modo da negação, entrar na defensiva. Nós entramos num período de resistência, que é um período longo que ainda não conseguimos ultrapassar. Embora o neoliberalismo tenha perdido certo apoio das massas, com os governos de Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, o PFL teve que mudar de nome, mas mantém a mesma direção. E as teses deles se inseriram no imaginário da sociedade, na educação, enfim, na ideologia. É a questão daquilo que já abordava Gramsci, lá na primeira quadra do século 20, a questão da hegemonia. As teses deles passaram a ser hegemônicas, e mesmo com a ascensão de um governo popular e democrático, esse governo é meio obrigado a gerenciar as estruturas montadas sob a égide do receituário neoliberal. De forma subliminar, eles vão introjetando a questão da competitividade nos trabalhadores. Esse é um fenômeno para que as pessoas entendam como se deu a implantação do ideário neoliberal, na macropolítica e na micropolítica. O trabalhador passou a ver o seu companheiro como um adversário e concorrente, que a todo instante ele tem que se preparar para não deixar aquele colega sobrepô-lo. Resumindo, o interesse do patronato é que os trabalhadores sejam o mais desunidos possível. A convenção coletiva nacional, a Participação nos Lucros - PLR -, a figura dos delegados sindicais nos bancos públicos, os sindicatos alteram os estatutos, renovam suas diretorias e, depois, entram numa espécie de entressafra. As pautas deixaram de ter a proposição e passaram a ter o modo da negação, entrar na defensiva. Nós entramos num período de resistência, que é um período longo que ainda não conseguimos ultrapassar. Embora o neoliberalismo tenha perdido certo apoio das massas, com os governos de Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, o PFL teve que mudar de nome, mas mantém a mesma direção. E as teses deles se inseriram no imaginário da sociedade, na educação, enfim, na ideologia. É a questão daquilo que já abordava Gramsci, lá na primeira quadra do século 20, a questão da hegemonia. As teses deles passaram a ser hegemônicas, e mesmo com a ascensão de um governo popular e democrático, esse governo é meio obrigado a gerenciar as estruturas montadas sob a égide do receituário neoliberal. De forma subliminar, eles vão introjetando a questão da competitividade nos trabalhadores. Esse é um fenômeno para que as pessoas entendam como se deu a implantação do ideário neoliberal, na macropolítica e na micropolítica. O trabalhador passou a ver o seu companheiro como um adversário e concorrente, que a todo instante ele tem que se preparar para não deixar aquele colega sobrepô-lo. Resumindo, o interesse do patronato é que os trabalhadores sejam o mais desunidos possível.
RESISTÊNCIA - Quais as grandes greves históricas?
JS - Do ponto de vista histórico, teve a greve de 34, que tinha um grande leque de reivindicações, entre elas a criação do Instituto de Aposentadoria dos Bancários (IAPB). Na época existiam institutos por segmentos - como o IAPI, da indústria -, posteriormente foram fundidos na Previdência oficial. Mais adiante é que culminam no Instituto Nacional de Previdência Social - INPS (hoje INSS - Instituto Nacional de Segurança Social). Mais adiante, na década de 50 - 60, teve a greve da jornada de seis horas. Dando um salto histórico, na década de 80 teve a famosa greve de 85, uma greve longa, que se dá no período da redemocratização. A ditadura chega ao seu final, são reabertos os partidos e os sindicatos. Foram criadas as centrais. Os sindicatos começam a ganhar um novo ânimo, e nessas greves despontam várias lideranças. Do ponto de vista histórico, teve a greve de 34, que tinha um grande leque de reivindicações, entre elas a criação do Instituto de Aposentadoria dos Bancários (IAPB). Na época existiam institutos por segmentos - como o IAPI, da indústria -, posteriormente foram fundidos na Previdência oficial. Mais adiante é que culminam no Instituto Nacional de Previdência Social - INPS (hoje INSS - Instituto Nacional de Segurança Social). Mais adiante, na década de 50 - 60, teve a greve da jornada de seis horas. Dando um salto histórico, na década de 80 teve a famosa greve de 85, uma greve longa, que se dá no período da redemocratização. A ditadura chega ao seu final, são reabertos os partidos e os sindicatos. Foram criadas as centrais. Os sindicatos começam a ganhar um novo ânimo, e nessas greves despontam várias lideranças.
RESISTÊNCIA - Historicamente, quais as greves que houve maiores repressões?
JS - As greves da década de 80. Elas pegaram tanto os trabalhadores quanto o patronato meio despreparados. Os trabalhadores, embalados pela vontade, pela novidade da greve, iam com muita determinação, muita rebeldia para o piquete, que virava um grande evento. Eles saíam do ar-condicionado das agências e iam para as ruas, e o patronato partia pra enfrentar com truculência, polícia, chamando o Estado para obrigar os trabalhadores a voltar para as agências para trabalhar. Os registros fotográficos das greves específicas e também das diversas greves gerais são muito marcantes na história dos trabalhadores. No processo de redemocratização, no Brasil - meio em descompasso com o que acontecia no resto do mundo -, a luta social teve certo ascenso, ao contrário do que existia na Europa, por exemplo. Mas, com o tempo, o patronato retoma o controle, e o movimento sindical passa a viver um momento de dificuldade. Com o controle do patronato, o desemprego fica elevado e, consequentemente, passa o ímpeto dos trabalhadores. Essa diminuição é planejada, controlada e então os sindicatos passam a conviver com um período de resistência.
RESISTÊNCIA - Quais os maiores desafios para o Sindicato a partir de agora?
JS - O Sindicato dos Bancários foi um sujeito importante na luta social e política do Estado. Temos aí os governos dito populares, que são o nosso maior desafio neste momento. Precisamos construir uma relação com esse setor que está dirigindo as esferas institucionais, seja do Município, do Governo do Estado ou do Governo Federal. Tem sido uma relação complexa, porque muito do que foi construído no movimento sindical, quando chegou ao governo está se dando de forma diferente. O debate de que nós iríamos ter uma relação mais amena, de compreensão etc, está se dando de maneira muito diferente. Não estou dizendo que com a chegada aos governos, os problemas deixariam de existir. Imaginávamos que seria diferente. Mas não tem sido assim a questão da democracia. A gente tem visto a luta sindical ser criminalizada por esses governos dito populares. Algumas greves, antes mesmo de começarem, já são julgadas ilegais. Como é que pode? Está faltando capacidade da parte que foi para o governo, porque antes, quando eles estavam do nosso lado, onde a luta era feita, estavam conosco, muitos deles estavam fazendo a luta. Aí vão para o governo e querem negar: ‘a partir de agora não precisa fazer mais luta'. E eles, por não terem a capacidade de fazer o diálogo, querem acabar a luta do povo com determinação judicial. Acho que o Governo Lula melhorou, entendeu esse lado, e tem gerenciado isso bem melhor do que os governos Estadual e Municipal de Aracaju, que enfrentaram a luta dos servidores com liminar, julgando a greve ilegal. No caso dos bancários, nós temos a relação com o Banese. Então, coisas que foram defendidas por Augusto dos Santos, por exemplo - os delegados sindicais nos bancos federais -, eles negam no Banese. Eleição interna dos funcionários, como é o caso da Casse (Caixa de Assistência) e o Sergus (Fundo de Pensão), eles não querem nem ouvir falar. Como é que você se forjou como liderança defendendo isso, aí avança, vai para uma instância onde pode facilitar e diz: ‘aquilo que eu falei não vale mais... É um contrasenso!
Edivânia Freire - Seeb/SE

