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redes sociais 2023

Estudo aponta 32 mil pessoas em situação de rua nas grandes cidades

O Brasil tem pelo menos 31.992 pessoas com 18 anos ou mais em situação de rua. A informação consta da Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, produzida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O levantamento foi compilado no livro “Rua – Aprendendo a contar”, lançado na última quarta-feira, dia 23, pelo presidente Lula e o ministro Patrus Ananias durante o sétimo Natal da Vida e da Cidadania dos Catadores e da População em Situação de Rua, em São Paulo (SP).

A obra traz informações sobre quantos são e como vivem os moradores de rua de 71 cidades brasileiras, a partir de pesquisa realizada de agosto de 2007 a março de 2008 em 23 capitais e 48 cidades com mais de 300 mil habitantes. Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Recife (PE) não foram incluídas, por terem dados já consolidados a respeito.

“Ao aprender a contar, a gente coloca o problema diante dos nossos olhos”, aponta Ananias. “Temos de chegar aos mais pobres entre os pobres justamente porque são os que mais precisam. E nos mandam sinais diários de suas vidas em constante perigo”, relata.

Durante o lançamento, o presidente Lula informou que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai contar a população de rua no próximo censo. Pelo sétimo ano consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou-se com catadores de materiais recicláveis e movimentos de pessoas em situação de rua para a celebração de Natal.

Resultados

As 32 mil pessoas em situação de rua equivalem a 0,061% da população destas localidades. Do total, 72% afirmam que exercem alguma atividade remunerada. A maior parcela (28%) é catadora de materiais recicláveis. A atuação como “flanelinha”, carregador, na construção civil e no setor de limpeza são outros tipos de trabalho mais frequentes citados por este público.

De acordo com a pesquisa, de cada cem pessoas em situação de rua, 71 trabalham e 52 têm pelo menos um parente na cidade onde vivem. A atividade mais frequente é a coleta de material reciclável e uma significativa parcela deste público considera boa a relação com os seus familiares.

Os dados revelam que a população de rua não é composta por “mendigos” e “pedintes”. De acordo com a pesquisa, apenas 16% dessas pessoas pedem dinheiro para sobreviver. Além disso, 59% afirmaram ter profissão, principalmente relacionada à construção civil, ao comércio, ao trabalhado doméstico e ao serviço de mecânica. Dos entrevistados, 48% disseram que nunca tiveram a carteira de trabalho assinada.

Quanto aos vínculos familiares, a pesquisa também traz uma surpreendente informação: 52% dos entrevistados declararam que têm algum parente na cidade onde vivem. Deles, 34% mantêm contatos frequentes com a sua família e 39% classificam como boa essa relação. Foi detectado também que 46% sempre viveram no município em que moram atualmente.

Outro dado relevante verificado pela pesquisa é a posse de documentação. Dos entrevistados, 75% têm pelo menos um documento, sendo que a maioria (59%) porta carteira de identidade. Grande parte, 88,5%, não é atendida por programas governamentais. A aposentadoria, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) atingem, no máximo, pouco mais de 3% desta população.

Mais homens
A pesquisa ouviu pessoas em situação de rua que vivem em calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, praias,barcos, túneis, depósitos, prédios abandonados, becos, lixões e ferro-velho ou passam a noite em instituições (albergues, abrigos, igrejas e casas de passagem e apoio).

O levantamento identificou uma predominância masculina (82%) entre as pessoas em situação de rua. A maior parte, 53%, situa-se na faixa etária de 25 a 44 anos. Nesta população, 30% se declararam negros, índice bem acima da média nacional, que é de 6,2%. Já o percentual dos que se consideram brancos é de 29,5% ( esse índice é de 54% entre o conjunto dos brasileiros).

Os problemas causados pelo alcoolismo e as drogas são apontados, pelos entrevistados, como o principal motivo para passar a viver na rua: 35,5% fizeram esta afirmação. O desemprego, com 30% das citações, e os conflitos familiares, com 29%, compõem o quadro de razões que os levam a viver nas ruas.

Dos pesquisados, 70% costumam dormir na rua e 22% em albergues, mas 46,5% preferem passar a noite na rua, principalmente por causa da liberdade, e 44% manifestaram preferência pela instituição, por temer a violência. Quase metade (48%) dos entrevistados que participaram do levantamento está há mais de dois anos dormindo na rua ou em alberque.

Alimentação
Segundo os resultados da pesquisa, 80% das pessoas em situação de rua fazem pelo menos um refeição por dia, sendo que 27% utilizam o próprio dinheiro para comprar comida. Em relação às condições de saúde, 30% afirmaram ter algum problema, como hipertensão, distúrbio mental e Aids, e 19% fazem uso de medicamentos.

Os principais locais para higiene são a própria rua (33%), os albergues(31%) e os banheiros públicos (14%). Estes também são os lugares mais utilizados para fazer as necessidades fisiológicas. Sobre discriminação, as principais queixas se referem à entrar em estabelecimentos comerciais e transporte coletivo.

No levantamento, não foram incluídas três capitais que realizaram pesquisas semelhantes recentemente. São elas São Paulo (SP), com 10.399 pessoas em situação de rua, Recife (PE), 1.390, e Belo Horizonte (MG), 916. Pelo mesmo motivo, Porto Alegre (RS) também não participou da pesquisa.

Fonte: Rede Brasil Atual

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