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redes sociais 2023

Estudo mostra desequilíbrio nos lares latino-americanos

Um estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e apresentado este mês no Chile escancara o desequilíbrio na América Latina e Caribe quando o assunto é divisão das tarefas no lar entre homens e mulheres. As informações são do site da Inter Press Service (IPS).

O informe Trabalho e Família: para novas formas de conciliação com responsabilidade social mostra que a responsabilidade pela casa, pelo cuidado dos filhos e idosos recai sobre as mulheres e que as estratégias para solução desses problemas são geralmente resolvidas no âmbito privado, sem o apoio do Estado.

Quando as mulheres não dão conta de enfrentar sozinhas o desafio de conciliar trabalho e família, apelam para outra mulher: mãe, sogra, irmãs, filhas mais velhas, vizinhas ou uma empregada doméstica e cuidadoras para os idosos, quando as condições financeiras permitem essa última opção. A ajuda dos homens é escassa e quase não há apoio do governo, a não ser no período de nascimento e amamentação. "Dá-se como certo que os cuidados são basicamente um assunto privado", diz o informe.

Ainda segundo o estudo, entre 1990 e 2008 a participação feminina no trabalho fora de casa na região passou de 23% para 53%. No caso das mulheres entre 20 e 40 anos, a porcentagem das que trabalham fora de casa hoje é de 70%. "Mas, não houve rupturas significativas nas concepções culturais predominantes que consideram que a reprodução social é responsabilidade das mulheres, não uma necessidade social", lamenta o estudo.

"Os cuidados não são uma responsabilidade da família - que os deixa a cargo das mulheres - mas uma responsabilidade do Estado e da sociedade", disse à IPS Natalia Gherardi, da organização argentina Equipe Latino-Americana de Justiça e Gênero, que participou da pesquisa. "O Estado tem a obrigação legal de arbitrar os meios para possibilitar essas prestações", afirmou. Porém, apenas intervém muito marginalmente mediante normas isoladas que nem sempre controla.

A pesquisa revela que o modelo de casal onde o homem é o provedor e a mulher fica só em casa já não corresponde à realidade. Um terço das famílias é chefiada por mulheres e a maioria delas está empregada no setor informal e destinam entre 1,5 e quatro vezes mais tempo do que os homens às tarefas domésticas.

IPS

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