EUA: crise destrói 1,2 milhão de empregos em três meses
No que o "New York Times" considerou em editorial o "crash do emprego", apenas em novembro foram demitidos 533 mil trabalhadores, de acordo com os dados do Departamento do Trabalho dos EUA. Em um ano, a perda de empregos alcançou 1,9 milhão, sendo que dois-terços apenas nos últimos três meses. Números que o NYT apontou como "piores que pavorosos" e sinal do declínio econômico e do desemprego à frente.Trata-se da 11ª queda mensal consecutiva, e a maior tesourada nos empregos desde dezembro de 1974, fazendo o desemprego subir, oficialmente, para 6,7% - e 10,3 milhões de pessoas sem trabalho.
SUBEMPREGO
Na verdade, é ainda mais grave, já que, considerando uma medida "cheia" do desemprego (novos desempregados, desempregados crônicos e subempregados), o número de atingidos vai quase para 20 milhões de pessoas - e a taxa dobra, para 12,7%. É que os critérios que eram usados no tempo da Grande Depressão para medir o desemprego, foram alterados pelos monopólios, para maquiar o quadro real. Assim, "desempregado" é só aquele que, justo na semana da pesquisa, esteve procurando emprego. Quem já está desempregado há muito tempo, não é levado em conta para esse tipo de medida do desemprego, e sequer é considerado integrante da força de trabalho. Caso, ainda, de quem fez um bico, vulgo "tempo parcial". O que acarreta, como registrou o economista Jared Berstein, do Instituto de Política Econômica, e nomeado conselheiro econômico do vice-presidente Joe Biden, "cerca de 1 em cada 8" norte-americanos é um sem-trabalho.
Ruim, e piorando, à medida que o colapso de Wall Street golpeia a economia real, como a dramática crise das montadoras - e três milhões de empregos em jogo - evidenciam. Na indústria, foi o 29º mês consecutivo de redução de empregos. Em depoimento ao Congresso, um representante do Bureau de Estatísticas do Trabalho, Keith Hall, disse ao deputado Elijah Cummings que esse era "um dos piores relatórios sobre o emprego" que seu órgão já havia produzido. "E há quanto tempo o Bureau existe?", quis saber Cummings. "124 anos", retrucou Hall. "124 anos", repetiu o deputado, acrescentando que "estamos despencando ladeira abaixo". Em outubro, o número de desempregados com diploma superior ultrapassou 1,4 milhão.
E, à medida que as corporações demitem mais e mais (veja matéria abaixo), o ritmo da perda de empregos tem se acelerado. De janeiro a agosto a média mensal de redução de postos de trabalho foi de 82.000, mas nos últimos três meses (setembro a novembro), disparou para 419.000. (Os números que haviam sido divulgados previamente para setembro e outubro foram revisados para cima, respectivamente de 284 mil para 403 mil, e de 240 mil para 320 mil). E em apenas três dias de dezembro, quinta-feira, sexta-feira e segunda-feira, sete corporações anunciaram mais 34.000 demissões. Em novembro, em 70% dos setores da economia o emprego esteve em contração, e a taxa de desemprego só não chegou a 7% porque o governo considerou que houve "inesperadamente" uma "redução em 420 mil pessoas da força de trabalho". Isto é, supostamente 420 mil teriam desistido de procurar emprego.
DIFÍCIL RETORNO
Também é cada vez mais árduo obter de volta o emprego perdido. Um em cada cinco trabalhadores leva mais de meio ano para conseguir outro emprego. Há milhões que simplesmente desistiram. De acordo com Berstein, o percentual da população em idade de trabalhar que efetivamente tem um emprego é atualmente de 61,4%. A discriminação também pesa na hora de conseguir um emprego. Enquanto a taxa oficial de desemprego é de 6,7%, a dos negros é de 11,1%, e a dos latinos, 8,6%. Somente uma parcela é protegida em algum nível pelo seguro-desemprego, que é recebido por 4,4 milhões. E como a saúde é privada nos EUA, quem perde o emprego perde também o seguro-saúde. No ano passado, de acordo com o censo, quase 46 milhões de pessoas não tinham assistência médica (15,3% da população).

