Greve dos servidores municipais de Salvador chega ao oitavo dia
Os servidores públicos municipais de Salvador decidiram, nesta sexta-feira (17), em assembleia no Campo Grande, manter a greve. Diante da manutenção da proposta de reajuste zero por parte da Prefeitura de Salvador e a falta de avanços nas negociações, não restou outro caminho para a categoria, que continuará parada por tempo indeterminado. Já são oito dias de paralisação.

Em
resposta à demora da Prefeitura de apresentar qualquer avanço nas
negociações, os servidores saíram do Campo Grande em passeata até a
Prefeitura, cantando uma paródia que tem como gancho “20% na cabeça!”.
Foram distribuídos dois mil picolés para os manifestantes, que
intitularam a caminhada de “Quebra gelo”.
Em reunião na noite de
ontem (16) e na manhã de hoje com o secretário municipal de Gestão,
Alexandre Pauperio, o Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador
(Sindseps) e representantes de diversas associações que fazem parte do
órgão ouviram os argumentos do gestor para a ausência de qualquer
proposta de reajuste e levaram as alegações às centenas de pessoas que
participavam da assembleia no Campo Grande. A categoria não aceitou a
proposta de Pauperio, de encerramento da greve, sem o corte dos dias não
trabalhados, e o compromisso de não haver nenhum tipo de retaliação
contra os grevistas, pois, até o momento, os servidores não conquistaram
nenhum ponto das reivindicações (mais de 50) entregues à Prefeitura.
Deliberações
Ficou
acertado que na próxima sexta-feira (24), às 8h, haverá outra
assembleia no Campo Grande para tratar das propostas que apresentadas
pela gestão municipal, que se reunirá com o Sindseps na quinta-feira
(23), às 16h, na sede da Secretaria Municipal de Gestão (Semge). Além
disso, foi instalada uma mesa de negociação com a Prefeitura, na qual o
Sindseps indicou cinco nomes, e serão realizadas reuniões periódicas
entre as duas partes.
“Foi aprovada, ano passado, na Lei
Orçamentária Anual (LOA) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), uma
previsão de receitas e despesas para o município. Dentro dela, as
despesas com pessoal é de 6.5%. Queremos que a Prefeitura sente com os
dados da receita do município para que, em cima disso, possamos discutir
o percentual de reajuste a que temos direito, com ganhos reais. Nós não
entendemos porque em todas as negociações o secretário Alexandre
Pauperio chega sem nenhuma proposta real e só vem com 0% de aumento. Com
isso, a gestão cria um impasse junto ao servidor e faz com que a greve
se fortaleça ainda mais”, destaca o diretor financeiro do Sindseps,
Helivaldo Alcântara.
Segundo ele, outro ponto polêmico,
apresentado hoje por Pauperio, foi a proposta de alteração da Lei 050,
na qual os servidores arcariam com 50% do plano de saúde e a gestão
municipal com os 50% restantes, ao invés de ficar 40% e 60%,
respectivamente, como o aprovado em lei. “Não aceitamos. A lei já foi
votada pela Câmara e aprovada, e nós reivindicamos que a Prefeitura faça
uma licitação o mais rápido possível e a lei seja aplicada
corretamente. Só assim, nós, servidores, teremos um plano de saúde”,
acrescentou o diretor.
Fonte: Sindseps

