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Greve nos Correios atinge 23 estados

A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) informou que a greve nos Correios chegou a 23 estados, mais o Distrito Federal, nesta quarta-feira (2). Segundo o presidente do Sindicato dos Carteiros no DF, Moysés Leme, a paralisação chega a 80% da área operacional. Em resposta, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) entrará com pedido no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para declarar a greve abusiva.


Os carteiros em greve reivindicam, entre outras questões, que o salário passe dos atuais R$ 603 mensais para R$ 1.119,00 por mês. Já a ECT diz que desde o mês passado, com o pagamento do abono adicional, o salário deles subiu para R$ 863,00 por mês.
 

Desde ontem (1º), cerca de 40 mil carteiros, dos 55 mil de todo país, estão de braços cruzados no país também pelo cumprimento integral de um compromisso assinado com a empresa, em novembro de 2007. Segundo a Fentect, os principais pontos do acordo não cumpridos são a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros e resultados (PLR).


José Gonçalves, um dos representantes da Fentect no comando de greve, afirma que apenas os serviços em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins não foram interrompidos.
 

Descontos dos dias parados


Já a ETC afirma que a adesão à greve permanece nos mesmos 40% da terça, quando foi deflagrada greve, mesmo com a adesão, nesta quarta, dos estados do Espírito Santo, Santa Catarina e Roraima.
 

Segundo a ETC, o porcentual permanece o mesmo porque a adesão dos três estados foi compensada pela volta ao trabalho, hoje, de algumas unidades na Grande São Paulo, que concentra 10 mil carteiros do país. A empresa diz que começou a descontar os dias parados a partir de hoje.
 

A ação da empresa junto ao TST argumenta que o sindicato está fazendo a paralisação fora da data-base da categoria, que é no mês de agosto. A assessoria negou ainda que os representantes da federação dos funcionários tivessem reunião com a área de recursos humanos da empresas, conforme informe da Fentect (veja ao final da matéria).


Entregas atrasadas


A paralisação fez com que 23 milhões de objetos ficassem retidos nos depósitos da ETC em todo o Brasil. Segundo a assessoria dos Correios, o volume diário em dias normais é de 33 milhões de objetos.
 

Os estados da Paraíba (82%) e Pernambuco (80%) são os mais mobilizados na greve. Em São Paulo, segundo a empresa, algumas unidades voltaram a operar normalmente nesta quarta-feira e o índice de adesão caiu de 20% no primeiro dia para 18% hoje.
 

Com a greve, os serviços com hora certa - Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta-, que garantem prazo de entrega, foram suspensos. Se a greve for encerrada nos próximos dias, os Correios não devem ter dificuldade em normalizar as entregas.
 

Negociações


Em assembléias realizadas na noite de terça-feira, em vários estados, os grevistas decidiram manter a paralisação. Ainda não há negociação sobre as reivindicações.


O diretor de política sindical da Fentect, Geraldo Rodrigues, afirma que um pedido de negociação foi enviado para a ETC. A empresa informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não vai negociar porque considera que a Federação ''radicalizou'' com a greve.
 

Os estados em greve são: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe, além do Distrito Federal.


Veja abaixo a íntegra do último informe da Fentect. 
 

Aos sindicatos filiados; diretoria colegiada da Fentect; e comissões da Fentect
 

Companheiros (a)
 

Na tarde de hoje (2), recebemos convite da ETC para uma reunião com Diretor de Recursos Humanos, Senhor Pedro Bifano, às 16 horas, para tratar de assuntos relacionados à nossa Greve.
 

Segundo informações repassadas por telefone, os trabalhadores do PR, em greve, conseguiram na manhã de hoje, através de uma manifestação, chegar ao Presidente Lula, onde o mesmo teria se comprometido a intermediar o impasse junto ao Ministério das Comunicações, Senhor Helio Costa. Estamos aguardando maiores informações oficiais daquele Sindicato.
 

Diante da falta de proposta até o presente momento, e considerando que não teremos tempo hábil para repassar ainda hoje informações sobre a reunião, orientamos a manutenção da greve, que continua crescente em todo país.
 

Fentect


Saiba por que os trabalhadores dos Correios estão em greve
 
Em nota divulgada nesta terça-feira (1º), o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de SP, informou que cerca de dois mil trabalhadores participaram da assembléia, realizada hoje na Praça da sé, que decidiu pela manutenção da greve nacional iniciada nesta segunda-feira (30/6). Segundo o sindicato, 70% da categoria aderiu à greve.


Veja abaixo a nota que expõe os motivos da greve.


Novamente, Correios param em todo país


O motivo da deflagração da Greve Nacional dos Correios são, basicamente, os seguintes:


1- O descumprimento do Termo de Compromisso assinado por duas vezes, em novembro de 2007 e novamente assinado em abril deste ano, após greve da categoria pelo cumprimento deste Termo. Este Termo de Compromisso estabeleceu o pagamento do Adicional de Risco. A Empresa alegava que precisaria de autorização dos órgãos do Governo para poder pagar este Adicional, conseguindo a liberação de 390 milhões de reais para isto. No entanto, a ECT decidiu mudar o Adicional que já estava assinado para um tal de "Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta" (AADC), onde a ECT definiu de forma unilateral quem recebe, inclusive beneficiando gerentes, sendo que há carteiros mais antigos que passam á receber menos após a imposição dos novos critérios criados pelo AADC.


Entendemos como justo o pessoal que trabalha em agências e os motoristas dos Correios também receberem um Adicional de Risco, mas os mecanismos criados pelo AADC restringem o ganho de muitos, e simplesmente esquece os operadores de transbordo e triagem;


2- Mas o problema mais grave foi a direção da ECT - após anos debatendo com os trabalhadores o problema da implantação de um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) - protocolar, junto ao DEST, com a aprovação do mesmo, de um novo PCCS pelas costas dos trabalhadores, que coloca em extinção os cargos atualmente existentes de carteiros, atendentes, motoristas, operadores de transbordo e triagem para criar o cargo genérico do "faz tudo" que querem chamar de “agente de correios”.


Vários direitos conquistados pela categoria estão sendo suprimidos, e simplesmente não se estabelece qualquer procedimento para a democratização ou transparência da Gestão, pelo contrário.


Conclusão: a greve têm por objetivos: a) a retirada do Projeto de PCCS apresentado pela direção da ECT e aceito pelo DEST, sem o conhecimento ou anuência dos trabalhadores, b) o inicio de uma negociação seria desta questão, c) o recuo da Empresa e cumprimento dos acordos assinados referentes ao Adicional de Risco, o qual a ECT tenta usar como moeda de troca para impor o seu PCCS, chantageando os trabalhadores.  


Sindicato dos Correios de SP

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