Inflação em baixa é mais uma forte razão para reduzir os juros
Afinal, o fantasma da inflação é desde sempre o pretexto dos monetaristas liderados por Henrique Meirelles para manter, no Brasil, as mais altas taxas de juros reais do planeta. Os preços estão bem comportados e foram derrubados pela crise econômica internacional e em países abatidos pela recessão (como EUA, Japão, Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, entre outros) o perigo maior não é de inflação, mas do seu contrário, a depressão, que significa queda generalizada dos preços.
Um dígito
A nova estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado para traçar as metas de política monetária, recuou de 4,66% para 4,57% em uma semana, de acordo com informações do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central (BC) que reflete as previsões de analistas de mercado para os principais indicadores da economia.
A expectativa para a taxa básica de juros (Selic) foi mantida em 10,25% no final do ano. Nesta terça (10) e quarta-feira (11), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne para definir a taxa que vigorará nos próximos 45 dias. O mercado financeiro já trabalha com a expectativa de que os juros nominais fechem o ano com apenas um dígito (abaixo de 10%), nível que seria histórico para os padrões brasileiros.
Pressão social
A Selic, hoje em 12,75% ao ano, pode ter seu movimento de queda acelerado. Porém, isto depende também da intensificação do processo de mobilização e pressão social, que pode unir os sindicatos a setores do empresariado associados ao setor produtivo, caso da indústria e do comércio.
Os dados da produção industrial divulgados na última sexta-feira (6) promoveram uma migração das expectativas de corte da Selic, de 1 para 1,5 ponto percentual. Estão confirmadas as estimativas de aceleração no ritmo de queda, a Selic cairá, segundo analistas, para 11,25% ao ano a partir desta quarta-feira.
As centrais e outras entidades sindicais - confederações, federações e sindicatos - devem realizar manifestações em todo País pela redução dos juros. Nos dias 10 e 11 ocorrerão vários atos, inclusive um acampamento às 16h, no dia 10, em frente ao Banco Central, na Av. Paulista.
CTB, com Diap e agências

