MPF pede a condenação de ex-diretores do Panamericano
O Ministério Público Federal de São Paulo pediu a condenação de oito ex-diretores e do chefe de contabilidade do Banco Panamericano por crimes financeiros e lavagem de dinheiro, cometidos entre 2007 e 2010. Segundo o procurador Rodrigo de Grandis, responsável pela ação, os nove ex-funcionários do banco cometeram crimes de gestão fraudulenta, entre outros.
As fraudes administrativas teriam causado, segundo a procuradoria, um rombo de R$ 3,8 bilhões no Panamericano, que acabou sendo vendido pelo controlador, Silvio Santos, à Caixa Econômica Federal. O banco depois foi adquirido pelo BTG Pactual.
Os investigadores identificaram mais de R$ 16 milhões de saques em espécie que beneficiaram os fraudadores.
O Ministério Público pediu que a Justiça determine a perda de bens dos nove réus em favor da União para recuperar, mesmo que parcialmente, o prejuízo do Estado na aquisição do banco.
A fraude
A fraude começou em 2006 na venda de carteira de créditos para outras instituições financeiras. O Panamericano vendia esses créditos, mas continuava contabilizando os créditos vendidos como ativos do banco. O banco também registrava os negócios com valor superior ao real e havia casos em que o mesmo crédito era vendido mais de uma vez, deixando os ativos do banco com valor muito acima do real.
No ano seguinte, o Panamericano lançou ações na Bovespa. As fraudes no balanço fizeram com que a avaliação do mercado sobre as ações fosse positiva e a captação foi considerada um sucesso.
O Banco Central, em 2010, comparou os créditos comprados e vendidos pelo Panamericano com os dos outros bancos brasileiros. Descobriu um rombo gigantesco.

