Trabalhadores da construção civil entram em greve na Bahia
Os trabalhadores da construção pesada deflagraram greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (12) em todos canteiros de obra da Bahia, incluindo a Arena Fonte Nova, no Dique do Tororó, em Salvador.
Após assembleia que aprovou o movimento, os 1.400 operários do estádio seguiram em caminhada do Dique do Tororó até o Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré, no Centro da capital baiana, onde protestam. A passeata atrapalhou o trânsito na região.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada da Bahia (Sintepav-BA), Adalberto Galvão, a categoria entregou uma pauta de reivindicação em 21 de janeiro pedindo 20% de aumento, cesta básica de R$ 300, pagamento de hora-extra e plano de saúde, mas o patronato ofereceu reajuste de 10%.
"Achamos esse reajuste razoável e aceitamos, mas queremos o
atendimento das outras reivindicações. Agora pedimos cesta básica de R$
250, plano de saúde e hora-extra", explica o sindicalista.
O advogado do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada na Bahia (Sinicom), Igor de Amorim, disse que os empresários
não podem atender a essas exigências. "Os pedidos são realmente muito
acima dos patamares. Oferecemos 10% de aumento, cesta básica de R$ 160 e
manutenção da cláusulas dos acordos coletivos dos outros anos. Não
podemos aumentar o valor da cesta, porque representa um custo muito
grande", diz.
De acordo com ele, o acordos coletivos antigos preveem que o plano de saúde seja negociado diretamente com a empresa
contratante. "Eles querem a obrigatoriedade do plano, mas isso não pode
fazer parte da convenção, porque tem empresa que é pequena e não tem
condições de fornecer", justifica.
No total, são 301
canteiros de obras na Bahia, incluindo a Arena Fonte Nova, Via Expressa,
a Ferrovia Oeste-leste e trabalhos de terraplanagem e saneamento básico
pelo estado. Cerca de 35 mil operários trabalham nessas obras.
Prejuízo -
Apesar de não saber dimensionar o impacto da greve para o andamento das
obras, o advogado diz que o "prejuízo é muito grande, inclusive para a sociedade.
Compromete, por exemplo, a participação da Bahia na Copa das
Confederações de 2013. Essa obra (da Arena Fonte Nova) não pode parar",
diz.
O consórcio responsável pela Arena Fonte Nova não se
pronunciou sobre a greve. De acordo com dados divulgados pelo
consórcio, em fevereiro deste ano, 51% da execução do estádio já foi
atingida. Estão concluídas as fases de demolição, reciclagem,
terraplanagem e fundações. A previsão de entrega da obra pronta é
dezembro de 2012.

