Trabalhadores rurais ocupam Brasília na abertura do 19º Grito da Terra Brasil
Cerca de cinco mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo país ocuparam a Capital Federal, na manhã desta quarta-feira (22), durante a abertura oficial do 19ª Grito da Terra Brasil (GTB).
Considerada a maior atividade dos trabalhadores do campo e da
floresta, promovida pela Confederação dos Trabalhadores em Agricultura
(Contag), o GTB reuniu lideranças sindicais, parlamentares e partidos
políticos, que reforçaram a defesa por reivindicações como a reforma
agrária e o combate à violência no campo. Eles defendem também melhoria
na saúde pública e na educação.
Representantes das cinco regiões
lembraram a importância de se ter uma política nacional de convivência
com o semiárido. A luta pela reforma agrária, por créditos, pelos
assalariados rurais, pelo fortalecimento da agricultura familiar e pelo
fim da violência no campo também foi citada.
Eduardo Navarro, secretário de Imprensa e Comunicação representou a
CTB no evento. “Essas 19 edições do Grito da Terra ajudaram a
transformar o Brasil. Muita coisa mudou e avançou na pauta dos
trabalhadores do ponto de vista de políticas para o campo, mas muita
coisa precisa avançar, principalmente, no que diz respeito à Reforma
Agrária e fortalecimento da agricultura familiar. É preciso associar
essa luta do campo com reformas estruturantes necessárias para o avanço
da democracia no país, como as reformas política, tributária, no
judiciário, na comunicação e na educação. Todas elas passam pela luta
dos trabalhadores do campo”, frisou Navarro.
Na opinião do
sindicalista, a organização dos trabalhadores rurais serve como exemplo
de luta ao conjunto da classe trabalhadora. “O grito de vocês ecoa em
todos os cantos do Brasil, é a voz do campo que chega aos Ministérios,
no Congresso, no Senado e em todos os sindicatos do país.”
Contra violência no campo
Durante
a abertura do GTB, vestidos com túnicas pretas e segurando bandeiras,
os manifestantes promoveram uma marcha pela Esplanada dos Ministérios,
com uma parada em frente ao Ministério do Trabalho, onde cobraram a
regularização de entidades sindicais que encontram inúmeras dificuldades
impostas pelo órgão para efetivar seu registro.
Alberto Broch,
presidente da CONTAG, afirmou que, nesses 50 anos de luta, o Movimento
dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) se orgulha do que já
foi conquistado. “80% de todas as políticas públicas que temos no campo
hoje é graças a nossa luta. Mas isso não basta. Não é possível que um
governo popular não avance na reforma agrária, na melhoria da qualidade
de vida do nosso povo. Estamos aqui para exigir do governo o fim da
violência, aquela que mata a liderança que luta pelo campo brasileiro”,
afirmou.
Em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), os manifestantes fizeram um minuto de silêncio deitados em protesto aos trabalhadores rurais assassinados no campo.
À tarde, os líderes da manifestação vão se reunir com um grupo de ministros para discutir as reivindicações. “Devemos ser realistas. Há políticas que já estão caminhando e outras que estão longe de serem concretizadas, mas estamos otimistas”, disse Broch.
O Grito da Terra Brasil deste ano, cujo lema é “50 Anos de Luta por: Reforma Agrária, Sustentabilidade, Trabalho e Dignidade no Campo”, apresentou ao governo uma pauta de reivindicações com 66 itens. Dentre eles, estão: desapropriar terras para fins de reforma agrária, possibilitando o assentamento de pelo menos 100 mil novas famílias em 2013; investir na regularização e no desenvolvimento social, produtivo e ambiental dos projetos de assentamento existentes; e disponibilizar recursos financeiros na ordem de R$ 42 bilhões para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2013/2014, sendo R$ 30 bilhões para o crédito rural e R$ 12 bilhões para programas como ATER, PGPM/AF, PGPAF, SEAF.
Portal CTB (fotos: Valcir Araújo e Agência Brasil)

