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Valter Moraes: Luta de classes e suas incongruências

É simplesmente bizarro.

Luta de classes sugere embate, disputas, poder, vitória, derrota, crédito, débito, prejuízo, lucro, tristeza, alegria, vida, morte, esse conjunto de entendimento, de leituras, interpretações, mostrando a realidade concreta desses embates entre capital e trabalho, dissecando em sua alma toda estrutura política que há em suas entranhas, seus objetivos, suas ideologias, para se chegar ao poder da dominação ética e moral de uma ideologia ou da construção de uma ideologia dialética voltado para a construção de uma consciência política de alteridade.

A necessidade da conscientização para se construir paradigmas crescentes de positividade, do eu e do tu, para chegarmos a nós conscientes da necessidade de proliferarmos uno e cônscio da responsabilidade sobre o desenvolvimento político da humanidade, que se conduzido para a barbárie, destruirá o bela da estética ética e moral da “civilização”, financiada pela mesquinhez, pelo egoísmo, pela sordidez a que chegará o homem. E se seguirmos a ideologia do individualismo, das decisões isoladas, egocêntricas, estaremos direcionando a luta para a vitória dos nossos algozes, para nossa derrota.

A luta de classe requer postura, coragem, energia, conhecimento de estratégia e tática para o enfrentamento de forças, desprendimento dos valores mesquinhos, disponibilidade para lutar pelos objetivos traçados sem profetizar a derrota ou a vitória. Isso dependerá da nossa unidade, do financiamento que todos faremos para o fortalecimento da nossa entidade de classe e da construção coletiva dessa entidade, para não corremos o risco de sermos derrotados pela minoria que se submete a ser financiado pelo outro e inconscientemente foge da luta, mas não se nega a receber os benefícios e os louros da vitória daqueles que foram para o enfrentamento e lutaram pela sua dignidade e seus direitos.

Cabe-nos, valorizar e educarmo-nos para a crítica e auto-critica latente em nosso ser, para não nos transformarmos em uma árvore que somente serve para extrair o látex quando ferido no seu âmago, chorando na floresta presa em suas raízes, simplesmente olhando uma para as outras sem se mobilizar para evitar os traumas e as frustrações deixadas pelas minorias, ruminando sua dor sem se importar com a dor do outro.

Valter Moraes – Diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

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